Sobre ameaça de greve e ingratidão

ingrato

O torcedor tricolor amarga pelos menos 10 dias de aborrecimentos quanto ao que se passa com o elenco. A vergonhosa eliminação da Copa do Brasil ao menos deixou a vaga na Sulamericana como legado, um prêmio não merecido ao time pela patética atuação do Maracanã, mas uma boa oportunidade se encarada com seriedade. Por outro lado, se situação na tabela do campeonato brasileiro ainda é confortável (pelo menos por enquanto), o sentimento confuso de incerteza permanece. Uma constatação, no entanto é unânime: há MUITA ingratidão com torcida e clube nesse comportamento preguiçoso, leniente e desleixado das últimas 4 partidas.

Vejamos alguns exemplos, só para reforçar o quadro: Diego Cavalieri começou a carreira na base do Palmeiras, virou tiular e depois de alguns anos se transferiu para o Liverpool. Lá, passou algumas temporadas na reserva, praticamente sem jogar, até ser emprestado ao modesto Cesena, da Itália, onde igualmente não se destacava. O Fluminense o resgatou, ele teve boas atuações desde então, chegou à seleção e foi importantíssimo na campanha do tetra. Hoje pleiteia renovação, talvez não com os valores estratosféricos divulgados pela imprensa e que geraram confusão, mas por um período longo e com bom salário, quase uma garantia de aposentadoria no clube. Nesse cenário, deveríamos naturalmente esperar que ele cobrasse o elenco pela postura competitiva e tivesse dedicação extra dentro de campo.

Carlinhos é outro com trajetória similar em relação aos altos e baixos: começou em um grande clube (Santos), foi emprestado ao Cruzeiro, não se firmou, depois foi para Mirassol e Santo André, quando chamou a atenção do Flu após o bom campeonato paulista em 2010. Foi peça importantíssima nos títulos de 2010 e 2012, chegou à seleção e, tal qual Cavalieri, tenta renovação por período longo. Detalhe curioso: há algum tempo os dois podem acertar um pré-contrato com outros clubes e não o fizeram. Propostas e interessados devem naturalmente existir, mas nos patamares oferecidos pelo Flu e Unimed certamente não. Resumindo rasteiramente os dois parágrafos: ambos têm história no clube, desejam renovação, e é inacreditável que não se dediquem minimamente a acabar com a preguiça das últimas semanas. Não há idolatria que resista quando a torcida não percebe mais a mesma dedicação.

Por último, Fred: artilheiro incontestável, fundamental na conquista do tetra e ícone importante para o clube durante a Copa das Confederações. No último mundial, naufragou ao lado de outros que não receberam 1/3 das críticas voltadas a ele, mesmo que também não apresentassem um futebol de qualidade. O Brasil INTEIRO se voltou em uma campanha contra o atacante, e em certos momentos a Copa do Mundo se tornou uma disputa entre os críticos ao centroavante da seleção e a torcida tricolor, o único escudo do jogador. Mesmo sem conseguir atuar bem após a Copa, Fred seguiu recebendo carinho da torcida e do clube.

Vale ressaltar e deixar claro: os três citados não são os únicos responsáveis pelos problemas atuais. O clube errou feio ao não definir e seguir uma programação de pagamento dos famigerados bichos de premiação, não se pode hesitar assim principalmente após um ano tétrico como 2013 e com um elenco experiente e que está junto há muito tempo. Além disso, Cristóvão também cometeu alguns erros nos jogos e há péssima postura também de outros atletas. Mas o mínimo que se esperava é que estes três, como protagonistas de um elenco recentemente vencedor e DIRETAMENTE interessados em acabar o ano bem, como mostrado acima, zelassem principalmente pelo respeito à camisa e pela simpatia que conquistaram com a torcida. Troféus não garantem crédito infinito e a paciência da torcida tem limites.

Não há idolatria que resista à falta de vontade, desrespeito e mau futebol.

Diagnósticos e mudanças

raça

Passada mais uma noite horrível em frente à televisão (a terceira em uma semana), é hora de olhar para a frente e tentar diagnosticar minimamente o que aconteceu com o Fluminense nos últimos jogos. De time envolvente e comparado às melhores seleções da Copa, elogiado por todos os analistas, passamos a uma equipe previsível, estática e sem motivação.

Há exatas duas semanas tivemos uma exibição excelente contra o América de Natal, com movimentação constante na frente, Fred muito participativo e Cícero chegando à área a todo momento para concluir.

Depois de lá:

- uma partida ruim contra o Coritiba, com o time cansado e preso em campo;
- catástrofe na volta contra o América, com primeiro regular e uma atuação ridícula depois do intervalo;
- jogo regular contra o Botafogo, que ficou muito ruim após as substituições;
- jogo morno contra a Chapecoense, perdido numa falha coletiva do goleiro e da zaga.

Curiosamente, as notícias sobre problemas na premiação apareceram entre os jogos contra o Coritiba e o segundo contra o América. Obviamente este não deve ser o único problema. A contusão de Gum foi muito ruim e desmontou uma defesa sólida até então. Um grupo há tanto tempo junto acaba adquirindo vícios e relevando posturas inaceitáveis e nocivas à competitividade.

Portanto, é hora de diagnosticar e mudar rapidamente. Apesar da recente sensação de terra arrasada, felizmente temos um saldo positivo do início do campeonato que nos permite evoluir rápido na tabela se nos recuperarmos.

O Fluminense conta com Paulo Angioni, Mario Bittencourt e Marcão no trato com os jogadores, e ainda com Peter Siemsen e Pedro Antonio, que também participam de todas as decisões de cúpula. Se dentro de campo é até certo ponto natural que existam oscilações técnicas e erros de escalação, fora dele é inaceitável que não se consiga mapear insatisfações, eventuais pilantragens e manter o vestiário minimamente em paz.

As mudanças são urgentes e têm que vir logo no domingo. Carlinhos, um dos jogadores que parecem estar com a cabeça longe (e incrivelmente age assim mesmo pleiteando renovação), já está fora da partida. É um início de mudança, ainda que forçada. Cristóvão, que errou muito nos últimos jogos mas provou que pode fazer este time jogar, precisa de estofo e blindagem para poder mexer onde e com quem quiser. E obviamente parar de errar com as substituições.

A competitividade precisa voltar, mesmo que o preço a se pagar seja criar insatisfações com eventuais barrações.

Cristóvão, o que aconteceu?

Flu0x1Chapecoense

Inacreditavelmente, um treinador que vinha se firmando, com esquema de jogo ousado, futebol moderno e competitivo, se perdeu nos seus próprios erros.

Contra o Coritiba, talvez a presença de Fred no banco o tenha perturbado. Na segunda etapa, fez péssimas alterações ao tirar Cícero e Bruno de uma só vez, improvisar Jean na lateral-direita e colocar Chiquinho no meio-campo. Estas mexidas fizeram o Flu perder o controle da partida e ceder um empate com sabor de derrota ao então último colocado, quase no fim do jogo.

Na partida seguinte, quando o mais natural seria mesclar o time com alguns jovens tais como Rafinha e Biro-Biro, Cristóvão estranhamente não poupou nenhum medalhão do jogo no Maracanã que determinou o desastre contra o América-RN, uma partida que fez a torcida suspeitar fortemente de atletas fazendo corpo mole, possivelmente provocadas pelo problema com as premiações.

Na partida contra o Botafogo, jogo morno empatado em 0 x 0 até Cristóvão fazer uma alteração que determinou a derrota do Fluminense: saiu Cícero e entrou Walter. Após isso o time se perdeu no meio-campo e tomou 2 gols em 3 minutos.

E hoje contra a Chapecoense, num jogo em que o time correu pela vitória e o meio-campo vinha atuando de forma minimamente consistente, o treinador permitiu ao Fluminense jogar por 75 minutos com uma dupla de jogadores pesados do ataque, uma dupla sem mobilidade, sem qualquer possibilidade de contra-ataque. É sabido por todo mundo que Fred só funcionou bem com um velocista ao lado, desde seu primeiro momento no Flu, mas Cristóvão infelizmente está insistindo num erro de escalação cometido várias vezes por seu antecessor Renato Gaúcho.

Após levar o gol decisivo, em mais uma falha de Diego Cavalieri, o Fluminense se perdeu taticamente, ficando completamente desorganizado em campo. Desta vez pareceu que os jogadores desanimaram, pois existem peças que, apesar da história do clube, não estão mais somando positivamente, sacrificando o time por inteiro.

No final, ainda tivemos uma expulsão forçada pelo lateral Carlinhos, talvez com objetivo de evitar um encontro com a torcida no próximo domingo. Uma verdadeira vergonha, que nos faz suspeitar do atleta considerar todos os torcedores do Fluminense como palhaços.

Queremos que o treinador escale por mérito e não pelo nome ou pela conta bancária;

Queremos jogadores que não façam corpo mole por conta de problemas financeiros;

Queremos fora do time todos aqueles que estejam insatisfeitos e desejam sair no fim do ano;

Chegou a hora dos Srs. Peter Siemsen, Mário Bittencourt e Paulo Angioni mostrarem serviço, obtendo diagnóstico e agindo rapidamente em mais uma das inúmeras correções de rumo que se fazem necessárias no decorrer desta gestão.

A torcida do Fluminense não merece passar mais um ano de sofrimento, vítima de verdadeiras auto-sabotagens internas, sejam elas partindo de jogadores ou comissões técnicas.

Por onde andam?

Que fim levou

“Esse cara é aquele mesmo moleque que jogou no Flu há um tempão?”

“Por onde anda aquele zagueiro que nos ajudou a fugir do rebaixamento em 2009?”

“Tinha um moleque que era promissor, entrava bem nos jogos, e depois sumiu”

As frases se repetem ano após ano e a curiosidade sobre o destino de vários jovens jogadores que em sua maioria acabaram não explodindo no futebol é constante. Fizemos uma lista dos últimos 10 anos, a partir da temporada de 2005, com jovens valores, promessas e garotos da base que chegaram a figurar entre os profissionais do Flu.

A relação está em ordem alfabética para facilitar a busca de algum jogador. Faltou alguém? Lembra de mais um e sabe onde ele está? Comente!

Alex Terra: Duque de Caxias
Anderson: Red Bull Brasil
Antônio Carlos: São Paulo
Arouca: Santos
Bruno Neves: Duque de Caxias
Dakson: Vasco
Dalton: Universitario (Peru)
Diego Souza: Sport
Dieguinho: Duque de Caxias
Dielton: Manthiqueira
Digão: Al Hilal (Arábia)
Dori: Harbin Yiteng (CHina)
Eduardo: Ceará
Esquerdinha: River-PI
Fabio Neves: Gwangju (Coreia)
Fernando, irmão do Carlos Alberto: Sheriff (Moldávia)
Fernando Bob: Ponte Preta
Fernando Henrique: América-RN
Fernando Souza: Canoinhas
Ferreira: Gama
Higor: Criciúma
Igor Julião: Sporting Kansas City (EUA)
João Paulo: Tombense
Juliano: Chonburi FC (Tailândia)
Lenny: dispensado do Atlético Sorocaba em fevereiro
Leo Itaperuna: FC Sion (Suíça)
Luís Cetin: Cabofriense
Maicon: Lokomotiv (Rússia)
Marcelo: Real Madrid
Marcos Junior: Vitória
Marinho: Náutico
Mauricio Alves: US Boulogne (França), seu último clube, falecido em 12/4/2014
Maurício: Terek Grozny (Rússia)
Mauro: Defensor San Alejandro (Peru)
Messias: Fornelos (Portugal)
Michael: Criciúma
Radamés: Vila Nova-GO
Rodolfo Soares: Hibernians (Malta)
Rodrigo Tiuí: Linense
Romeu: Panthrakikos (Grécia)
Ronan: Legia Warszawa (Polônia)
Sandro: Ceará
Tartá: Joinville
Thiago: Tigres do Brasil
Thiaguinho: Racing de Ferrol (Espanha)
Toró: Bahia
Wallace: Vitesse (Holanda), emprestado pelo Chelsea
Wellington Nem: Shaktar Donestk (Ucrânia)
William: Sport

Washington e Assis merecem

Casal20

Dentro de campo, considerando o desempenho nas últimas partidas, o momento do Fluminense é o pior possível. Fora dele, porém, existe um projeto que a torcida tricolor deve abraçar. Washington e Assis formaram sem dúvida alguma a melhor e mais carismática dupla de nossa história. Vimos nos anos de 1983, 1984 e 1985 talvez a última equipe romântica do Fluminense. Na época, os jogadores não pensavam tanto no dinheiro e tinham amor à camisa de verdade. Hoje é difícil ver um grupo tão comprometido como aquele.

Para valorizar quem tanto fez pela história do Flu, o clube elaborou um crowdfunding com o objetivo de fazer uma homenagem definitiva aos eternos Washington e Assis. A ideia é que a torcida abrace a causa e escolha que tipo de reverência o Casal merece. Podemos escolher entre um busto, uma estátua ou… nada! Tudo depende do valor e da quantidade de contribuições. A definição sairá até o dia 6 de novembro.

Antes disso, o tricolor pode colaborar com a partir de R$ 20 nesse site:

http://www.comecaki.com.br/Casal20.

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