Federação de Clubes?

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Os meios de comunicação começam a mostrar de forma inequívoca que a entidade que mais arrecada em termos de bilheteria no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro é a Federação. Isso não é novidade porque independentemente de qualquer preço de ingresso, de qualquer tamanho de público, a taxa da Federação alcança 10% da renda bruta de cada partida. Isso explica até a suntuosidade do prédio da Federação, que segundo o seu Presidente, está bem organizada financeiramente por conta da sua “boa gestão”. A relação de cargos de direção na FERJ espanta mesmo para quem está habituado com o trabalho em multinacionais de grande porte que contam com orçamentos compatíveis com atividades extremamente rentáveis, sendo ao todo 18 (dezoito) Vice-Presidentes e 27 (vinte e sete) diretores. Basta ver o quadro abaixo:

VICE-PRESIDENTES:
- Coordenação geral
- Assuntos Jurídicos
- Administração
- Orientação Desportiva
- Assuntos externos e representação
- Pesquisas e desenvolvimento esportivo
- Planejamento
- Cerimonial
- Relações públicas
- Relações com o poder público
- Relações parlamentares
- Empreendimentos
- Marketing
- Categorias Especiais
- Controle interno
- Coordenação das categorias de base
- Manutenção e Obras
- Assuntos internacionais
- Cultura, ensino e pesquisa

DIRETORES:
- Comunicações
- Jurídico
- Patrimônio
- Finanças
- Relação públicas
- Departamento médico
- Assistência social
- Orientação desportiva
- Futebol amador do interior
- Administração
- Marketing
- Assuntos externos e representações
- Desenvolvimento esportivo
- Obras e engenharia desportiva
- Eventos culturais e esportivos
- Registro
- Categorias especiais
- Assuntos históricos e memória esportiva
- Assuntos internacionais
- Relações especiais com instituições de ensino superior e pesquisa
- Planejamento e organização de competições
- Relações parlamentares
- Coordenação geral
- Cerimonial
- Empreendimentos
- Controle interno
- Categorias de base

A receita de sucesso da Federação, invariavelmente típica do canibalismo que exerce sobre os clubes, uma vez que não tem custos com a realização dos jogos, não divide a publicidade estática e naming rights com os filiados e agora, a mais recente novidade é um projeto de sócio-torcedor carioca, em que a FERJ pretende nitidamente tirar dos clubes os seus projetos respectivos de fidelização. O pior é que os clubes, grandes geradores de receita da FERJ, não recebem qualquer informação sobre a alocação destes recursos que, certamente, poderiam ser utilizados de melhor maneira, seja auxiliando na melhora da infra-estrutura de agremiações de menor torcida o que sempre viabiliza o surgimento de bons jogadores, promovendo torneios atraentes de divisões de base ou capacitando seu quadro de árbitros, nitidamente um dos piores do país.

Hoje tivemos mais um dia lamentável envolvendo a Federação. A Flusócio repudia completamente a postura adotada pela FERJ. Olhando sem pestanejar, podemos afirmar com toda a certeza: os 7 a 1 não foram à toa.

Alguns pingos nos is

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Tivemos notícia de uma patética nota emitida por um suposto grupo de sócios vascaínos aliados ao presidente do clube, repleta de invenções e insinuações contra o Fluminense. Ainda que desconheçamos tal grupo e que nos cause estranheza um grupo de apoio a Eurico Miranda querer falar em moralidade, vale aproveitar a oportunidade para relembrar algumas verdades históricas e trazer à tona alguns episódios inconvenientes sobre nosso vice de 84.

Antes de mais nada, deve-se dizer que é realmente lamentável, beirando a má-fé, a tentativa do Vasco e seus torcedores de colar no Fluminense a pecha de clube racista e elitista. Ao contrário do que sugerem, ignorando e distorcendo a história, o Fluminense Football Club sempre foi um clube vanguardista e democrático, sendo um dos primeiros clubes brasileiros a contar com negros em seu plantel, como pode se ver na foto que ilustra esse post, datada de 1910.

Quanto à história do jogador Carlos Alberto, que deu origem ao apelido de pó de arroz, é questão de lógica elementar notar que o preconceito vinha dos adversários, que assim o apelidaram e que não admitiam jogadores negros no futebol. O Fluminense, de outro lado, o escalou, o que denota seu suporte contra o pensamento preconceituoso dominante à época. Sobre o episódio, ficamos com esta esclarecedora entrevista do então goleiro Marcos Carneiro de Mendonça, testemunha ocular dos fatos que conta o que houve naquela tarde.

Já quanto ao Vasco da Gama, que se gaba de supostamente ser um clube popular, não podemos deixar de mencionar que já entrou no futebol usando de artifícios ilegais. Na época, o futebol ainda era amador e não era permitido que atletas fossem pagos para jogar. Foi então que os portugueses encontraram um típico “jeitinho brasileiro”, contratando jogadores (muitos deles negros) como funcionários de seus negócios, quando na verdade eles eram realmente pagos para treinar o dia todo. Nascia ali a marca de clube trapaceiro. Evidentemente que a fraude foi descoberta e o clube excluído da federação. Espantoso é que, quase 100 anos depois, tente dar a essa verdadeira trapaça uma áurea de inclusão social e luta contra preconceito.

Aliás, esses tipos de episódios de conchavos e trapaças não são casos isolados. Ter que se valer de métodos antiéticos para se sobressair desportivamente sempre foi uma constante na história desse clube. Não custa lembrar, o Vasco teve a fase mais vitoriosa de sua história sob a nefasta gestão do Caixa D’água à frente da FERJ. Curiosamente, desde sua saída da federação há mais de 10 anos, levou apenas 1 campeonato e caiu 2 vezes para a segunda divisão.

Por tudo isso, é mesmo de se esperar que o Vasco tente novamente se alinhar com o Presidente da FERJ, buscando reeditar uma sombria e vergonhosa relação que por tanto tempo lhe favoreceu. No fundo, sabem muito bem que, sem recorrer a esses métodos tão comuns em sua história, são meros coadjuvantes do futebol brasileiro.

PS.: A nota alega ainda que as políticas de ingresso adotadas atualmente pelo Fluminense seriam impopulares. Como de todo o resto, apenas mais um devaneio sem nenhum fundamento na realidade. Antes de escrever uma besteira dessas, deveriam pelo menos ter se dado ao trabalho de pesquisar a média de preços praticados pelos clubes brasileiros. Veriam que o Fluminense, há anos, pratica um dos preços mais baixos dentre os clubes da série A.

Estatuinte aprovada

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Ontem o Fluminense viveu uma noite histórica. Uma noite que se repetiu somente mais três vezes em toda sua vida mais do que centenária.

Em 27 de janeiro de 2015, o Conselho Deliberativo do Fluminense Football Club aprovou a reforma do Estatuto do Clube, permitindo uma renovação ampla, geral e irrestrita em seu documento base.

À primeira vista o Estatuto pode parecer um documento distante e por isso mesmo irrelevante, mas é exatamente o contrário que ocorre. O Estatuto é a Constituição do Fluminense, e como tal traz as regras mais básicas do clube. E se a base não for sólida, todo o prédio fica ameaçado de ruir.

Ali devem conter normas de governança, de redação e controle do orçamento, de responsabilidade financeira, de composição harmônica dos Poderes que compõem o Clube, e as limitações ao exercício da competência administrativa por quem de direito. Tudo com regras simples e objetivas, para trazer modernidade ao atual Estatuto – com suas normas dúbias e lacunas em assuntos-chaves.

Enfaticamente, o post transcende grupos políticos. É para celebrar o fato de que houve o consenso entre todas as correntes de pensamento que compõem o Conselho Deliberativo, e congratular cada um dos oitenta e sete Conselheiros que prestaram um enorme serviço ao Fluminense, ao permitir que o tão criticado Estatuto atual possa finalmente ser revisto.

O próximo passo agora é estabelecer uma Comissão de Reforma do Estatuto igualitária e dedicada, com membros de todas as correntes políticas do Fluminense. Para ser um presente, e não uma maldição às gerações futuras, é fundamental que esse documento tão importante tenha as impressões digitais de todos.

Afinal, o Fluminense somos todos nós.

Desmandos e arbitrariedades

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O campeonato carioca de 2015 já se anunciava turbulento há tempos, pelo menos desde a eleição de Eurico Miranda no Vasco da Gama. Somado a Rubens Lopes, ele não perdeu tempo em tentar retomar espaço na marra, criando polêmicas desnecessárias com preços de ingresso, ocupação do Maracanã e outros tópicos menos importantes que lhe garantem a simpatia dos demais clubes pequenos da federação do Rio de janeiro.

Ontem foi mais um dia com acontecimentos tristes para o torcedor. Marcelo Carlos Nascimento Vianna, Diretor do Departamento de Competições da FFERJ, emitiu uma nota lamentável, cujos trechos destacaremos com comentários abaixo:

“Considerando que o Presidente do filiado Fluminense FC alega, para não cumprir as normas desportivas, e as decisões dos órgãos colegiados a que está subordinado, um suposto contrato assinado com o Maracanã, sem a anuência da FERJ;

Considerando que o presidente do filiado Fluminense FC, apesar de instado a fazê-lo em diversas oportunidades, recusa se a apresentar o contrato supramencionado;
(…)
Considerando que a direção do estádio do Maracanã, está pretendendo interferir no Campeonato Estadual, sem nenhuma competência para tal, cabendo-lhe tão somente estabelecer o custo para a utilização do estádio e nada mais do que isso;

Considerando que a direção do Maracanã manifestou-se publicamente contrária às decisões emanadas do Conselho Arbitral do qual é figura estranha;(…)”

O Fluminense tem um contrato PRIVADO, assinado com o Consórcio Maracanã. Não é necessária a anuência da Federação para isso, chega a ser risível a afirmativa. A postura do Consórcio, que ao lado da dupla Fla e Flu já se manifestou contra o arbitrário e infeliz desconto geral nos preços dos ingressos, obviamente desagrada a FERJ, que talvez torça para que o estádio volte à administração do Estado para poder mandar no que quiser e à vontade. Além disso, o deboche sugerido com a utilização de termos como “suposto” é um desrespeito a um afiliado, um grande afiliado, um dos quatros principais afiliados, por quem a federação deveria TEORICAMENTE zelar.

RESOLVE transferir o local da partida entre Fluminense FC x Friburgense AC, válida pela primeira rodada do Campeonato Estadual de Profissionais da Série A, inicialmente programada para o estádio Mário Filho, para esta seja realizada no Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, mantidos o horário (19:30h) e a data (01/02/2015 -domingo), com a preliminar entre as equipes de juniores ficando marcada para o mesmo local, no mesmo dia, às 17:00h. Esta resolução entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 2014.”

O esvaziado e ridicularizado campeonato carioca, que poderia ter ao menos um jogo no domingo no Maracanã, tem sua primeira rodada morta desde o nascedouro. Um domigo de férias, com crianças, torcida tricolor ansiosa pelo início do ano e o time com caras novas. Estranhamos o silêncio da imprensa quanto às arbitrariedades e desmando, principalmente quando a rede Globo é a principal financiadora e interessada na imagem positiva do campeonato.

Quanto aos demais envolvidos, o Vasco está alinhado desde o início com a Federação, não há sequer dúvida. Chegamos ao cúmulo dos principais representantes das entidades falarem em nome da outra instituição sem o menor pudor. O Botafogo, no limbo de uma queda para a série B, parece não se importar. Flamengo e Fluminense, por enquanto, duelam juntos nesta trincheira, embora saibamos que o peso da mídia é muito maior quando associado ao outro lado e não se sabe até onde vão as afinidades.

O Fluminense lançou uma nota espetacular no fim da tarde desta terça-feira. Sigamos brigamos pelo que é nosso e é justo.

FERJ: a vanguarda do atraso

Rubinho

No ano passado, após o fiasco do Brasil na Copa do Mundo, muito se disse que o famigerado 7 a 1 não foi por acaso.

Seis meses após aquele atestado de falência do futebol brasileiro, eis que a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) “reconhece a firma” no atestado, e resolve adotar práticas absurdas com os clubes que a sustentam e a fazem existir.

Ao invés de simplesmente sentar-se com os clubes e buscar uma reformulação para o torneio, a Federação começa criando uma desprezível “lei da mordaça”, impondo multa para os clubes que institucionalmente depreciarem o campeonato.

Em seguida, limitou a inscrição de atletas de categoria “júnior”, mesmo em total contradição ao argumento de que o Campeonato Carioca serve para divulgar atletas. Paralelamente, descaracteriza a figura do mandante dos jogos, para poder controlar onde as partidas se realizarão, esquecendo-se do regulamento nacional de futebol sobre a matéria.

Logo após, tenta atropelar compromissos contratuais dos clubes com o consórcio que administra o Maracanã, criando uma norma totalmente kadafiana de que ela, FERJ, define o lado em que cada torcida ficará no ex-maior do mundo. Após atropelar, tenta passar novamente por cima desses compromissos ao buscar um tresloucado tabelamento de preços para as partidas do torneio, e tentar dispor sobre meia entrada, ao arrepio da lei.

Não bastasse isso, a federação demonstra que não se preocupa minimamente com o fato de o Campeonato Carioca ser deficitário, e mais deficitário a cada ano. Ela atropela os orçamentos dos clubes e não pretende dar a menor satisfação.

Ou seja, é uma instituição cega para a realidade. Congelada na década perdida, dos fins da ditadura, em que valia o “sabe com quem está falando?” e o “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Unidos, os clubes brasileiros seriam poderosíssimos. Desunidos, dão margem farra dos dirigentes das federações. Isso fica muito claro no Rio de Janeiro, onde temos uma federação que privilegia alguns afiliados em detrimento de outros, tem atitudes autoritárias e retrógradas e que impõe um campeonato insosso, deficitário e totalmente ultrapassado.

No entanto, alvíssaras, finalmente estamos vendo dois clubes, ao menos dois – e felizmente um deles é o Fluminense – se unindo contra o festival de besteiras da federação do Rio. Fluminense e Flamengo lançaram manifesto conjunto, com cinco itens, repudiando as recentes decisões arbitrárias que estão tentando impor aos já financeiramente combalidos clubes do Estado.

A FERJ parece não perceber que ela é quem depende dos clubes, e não o contrário. Que sem os grandes clubes do Rio (notadamente Fluminense e Flamengo, rivais históricos que fizeram o futebol do Rio ser conhecido mundialmente), ela não é nada além de um instrumento de poder simbólico. E se pretende se utilizar de força bruta, impondo regras abjetas e contrárias a leis e outros regulamentos desportivos superiores, é porque assina embaixo da própria inépcia e incapacidade de se reformular.

Quem perde com isso não é apenas o Fluminense, é o futebol do Rio como um todo, com resultados cada vez mais inexpressivos no cenário nacional, e menos times na série A do que, por exemplo, o futebol catarinense.

“Ao vencedor, as batatas”, ou coisa que o valha. E aos perdedores, ou seja, todos nós que admiramos futebol (e a própria federação, que se enfraquece sem perceber), o que resta dos 7 a 1.

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