Executivo da E&Y sobre o Flu: evoluiu, mas ainda falta muito

EYEm entrevista ao site NETFLU, o executivo da Ernst & Young, Alexandre Rangel, falou sobre o esforço atual do Fluminense para se reorganizar administrativamente. Em sua conta no Twitter o executivo anunciou assim o compartilhamento de sua entrevista:

‘É necessária uma grande união no Fluminense para permitir que essa instituição tão importante ao futebol não apenas sobreviva, mas esteja dentro das agremiações de destaque no Brasil. Mas não vai ser um processo rápido, simples, com soluções “mágicas” nem com salvadores da pátria.

Acho que Fluminense, apesar de tudo, esteja em situação similar a Botafogo e Vasco no Rio, não pior. Mas não podemos nos enganar, a situação dos 3 é critica sem nenhuma margem de erro. Exemplo, qualquer rebaixamento para um dos 3 no contrato de TV 2019, estamos falando de “Game Over”.’

Segue a íntegra da entrevista. Fazemos alguns comentários ao longo do texto:

NETFLU – Como foi a entrada da EY?

ALEXANDRE RANGEL – Eu conheço bem todo o projeto. O projeto teve alguns pilares. O primeiro era fazer o orçamento do clube. O Fluminense nunca teve um orçamento estruturado antes. Tanto que saiu uma vez aquela famosa nota do balanço de 2017 sobre o deficit de R$ 75 milhões, se não me engano, que no final foi de 39, mas foi republicada 65 no balanço. Até ali não se sabia que tinha aquele débito. Foi fruto do nosso trabalho. E aí saíram várias recomendações de profissionalização do clube, estabelecido dentro de várias normas, até para evitar que esse tipo de situação de descontrole financeiro acontecesse, incluindo a formação de uma profissional. Depois disso veio o Marcus Vinicius Freire, mas aí a gente já tinha encerrado o nosso trabalho.

Nota da Flusócio: não apenas apoiamos a contratação da consultoria E&Y como também ajudamos simbolicamente com doações financeiras de nossos integrantes, para o custeio do pagamento. Clique aqui para conferir mais detalhes. Continuamos firmes apoiando a execução do plano traçado para reestruturação do Fluminense.

NETFLU – O clube, obviamente, não é obrigado a seguir as orientações de vocês, correto?

ALEXANDRE RANGEL – Exatamente. A gente orienta, diz o que entende que é o caminho a seguir. A gente trabalha com a maioria dos clubes grandes do Brasil. Estamos fazendo projetos no Flamengo, Cruzeiro, Atlético-PR, onde estamos trabalhando na abertura de capital do clube. Entramos na CBF naquela confusão com a Fifa, inclusive voltando a crescer receita, patrocínio. Tentamos levar para o futebol o profissionalismo. Levamos às gestões dos clubes o mesmo tipo de cuidado administrativo que qualquer empresa tem em seguimentos normais, como controlar custos, marketing, receitas, coisa que os clubes às vezes falham muito.

NETFLU – O Fluminense adotou as orientações da EY?

ALEXANDRE RANGEL – Eu não estou mais no dia-a-dia do clube. Algumas coisas eu sei que evoluíram, como o controle do orçamento. Parece que o clube não tem mais déficit corrente este ano, o que é uma grande vitória. Talvez seja deficitário por conta de pagamentos de juros e empréstimos, mas parece que o operacional conseguiu cortar muitos juros.

NETFLU – Vocês trabalharam diretamente com quem?

ALEXANDRE RANGEL – A gente trabalhou muito com Abad, Diogo Bueno… agora o Fluminense tem muita coisa a fazer. O Fluminense tem uma necessidade muito urgente de se profissionalizar. Ele perdeu aquele senso de clube nacional. Precisa extrair o máximo da torcida que tem, gerar muitas receitas e cortar custos de maneira muito forte. A receita do Flu hoje até que está muito boa se comparar com Vasco e Botafogo. A questão do Fluminense, quando começamos a trabalhar com o clube, é que tinha um custo de folha, herdado da Unimed e uma série de gastos que ocorreu na gestão anterior, maior do que a do Flamengo, com uma receita 50% menor. Esse trabalho que o Botafogo fez, de trazer os custos para baixo, usando baixo, o Vasco fez, o Fluminense também teve de fazer. E fez muito bem, porque a base é o forte do Fluminense. Agora precisa ter uma gestão muito profissional, porque o clube não tem margem de erro, por conta de todo o problema que essa transição da Unimed gerou com tudo.

Nota da Flusócio: comentamos recentemente o esforço da diretoria na redução de folha de pagamento e os entraves que ainda atrapalham o clube na hora de manter os pagamentos em dia. Clique aqui para conferir.

NETFLU – Muito se critica a quantidade de PJs (pessoas jurídicas) no clube. A principal argumentação para este cenário costuma ser um valor pago menor com impostos. O que a EY orientou em relação a isso?

ALEXANDRE RANGEL – Na verdade, isso hoje em dia até não é mais um problema, porque a reforma trabalhista mudou completamente a forma como você pode contratar. Então, pode-se ter outros modelos de contratação, que não seja PJ, para conseguir reduzir custos. Agora tem que fazer uma transição. Às vezes eu vejo a discussão sobre PJs no Fluminense. Mais importante é saber tomar decisões profissionais. O problema do Fluminense foi naquele ciclo passado de contratações em sentido econômico, colocar gatilhos salariais que eram jogados para gestões seguintes, cláusulas escondidas em contratos que geravam ônus adicionais. Isso é uma bola de neve que precisa mudar.

NETFLU – Falando em gatilhos ou casos que poderiam gerar ônus em gestões seguintes, um caso importante, noticiado inclusive pelo NETFLU, foi o da diretora jurídica, que na época também acumulava o cargo de CEO. O presidente Peter Siemsen renovou o contrato dela até o final da próxima gestão e, se o novo presidente a demitisse, teria de pagar uma multa proporcional ao salário até o final do contrato, em 2019.

ALEXANDRE RANGEL – Esse caso específico eu não acompanhei. Esse tipo de situação no futebol, não só no Fluminense, é super comum. Por que isso acontece? Hoje num clube de futebol padrão, o presidente tem o poder de fazer qualquer coisa, assinar qualquer contrato sem a necessidade passar pelo Conselho Fiscal ou Conselho Deliberativo. Decisões como estas, estatutariamente na maioria dos clubes, ainda são delegação exclusiva do presidente. Numa governança corporativa, isso não é adequado. Foi uma das coisas que a gente colocou. Deixamos como legado no clube, para que fosse aprovada toda uma reforma estatutária para que esse tipo de situação não fosse mais possível de ser feita, seja com pessoas do futebol ou administrativo. Se um presidente quiser contratar um jogador por R$ 100 mil e tiver um gatilho para o mesmo receber R$ 500 mil na próxima gestão, ele pode. Estatutariamente, em qualquer clube pode, exceto um ou dois. Enquanto isso não acabar, qualquer clube está sujeito a fazer isso, por questões políticas, desconhecimento ou até boa intenção. Não importa. São situações que numa empresa normal o processo de governança não permite. Além da questão financeira, deixamos essas orientações e procedimentos políticos para que fossem implementadas gradativamente no clube com a anuência com os poderes do clube. Em alguns casos, passa por alterações estatutárias, são processos longos.

NETFLU – Mudar estatuto no Fluminense costuma ser uma ação demorada. Desde a última eleição, por exemplo, fala-se na mudança para viabilizar o foto online. Até o momento, a mudança não ocorreu e o clube não vem falando sobre o tema…

ALEXANDRE RANGEL – Eu acho assim, é uma opinião muito particular. É importante que o Fluminense tenha em mente que exista um consenso político não em relação a quem vai liderar o clube, mas em torno de ideias. Eu vejo as discussões do Fluminense gravitando entre “foi fulano, foi Mário, Peter, Abad, Flusócio…”. Discutem as pessoas, mas não discutem as ideias. Qual é a visão de futuro do clube? Como o Fluminense vai lidar com as questões de dívidas, estratégias, como clube formador, de ter operações internacionais ou não… eu vejo discussão em cima de culpa e de pessoas, não de temas estratégicos. Enquanto o Flu não criar um consenso político em torno de ideias de longo prazo, um plano de estado, não de plataforma de gestão do candidato A ou B, dificilmente vai caminhar na velocidade que outros estão caminhando. Tem clubes como o Grêmio que estão extramente bem geridos com governanças sofisticadas, em torno de empresários no Rio Grande do Sul, não existe mais aquela questão do conselho social, existem empresários fazendo parte do conselho de administração… o Flamengo está fazendo várias reformas estatutárias, o Palmeiras em São Paulo com gestão avançada… tem alguns clubes se destacando e o Fluminense ficando para trás, com um potencial imenso. O Fluminense tem uma torcida muito boa, monetizável, um quadro social com pessoas de muito conhecimento, de altíssimo nível. Mas a coisa fica girando por essa lavagem de roupa suja, culpa, política, sem que passe pelo momento de tensão futura. Agora, como sair disto é uma resposta que só o clube pode dar. Basta fazer o que os conselheiros fazem em suas empresas de capital de aberto.

NETFLU – A aprovação das contas do Peter foi uma das situações mais polêmicas nesta atual gestão. Como funciona para um clube de futebol, na visão da EY, a fiscalização da contabilidade de uma gestão anterior? Quando uma gestão possui a maior parte do Conselho Deliberativo, praticamente tudo o que circula por lá acaba sendo um ato político, não em favor da instituição?

ALEXANDRE RANGEL – Eu fiquei sabendo. Não tive detalhes do porquê que foi aprovada. No geral, é o quadro que você falou. Nos clubes, o mecanismo de fiscalização é muito tênue. Se o balanço está “ok” no ponto de vista contável, o Conselho Fiscal aprova. É basicamente um aprovador de balanço. O Conselho Fiscal, por exemplo, não pensa se é bom ou ruim. Existe muito pouco poder seja para o Conselho Deliberativo ou fiscal, a não ser por uma decisão puramente política de questionar algo a mais do que o rigor contável. O rigor contável não é onde o problema acontece. O problema acontece no bom ou mal uso do dinheiro, que é uma delegação exclusiva do presidente. A mudança disto também passa por nosso trabalho. Fizemos uma série de orientações, falando de alterações estatutárias, onde você colegia mais as decisões e aumenta a capacidade de fiscalização dos órgãos de controle, inclusive com a criação de auditoria interna, como qualquer empresa de capital aberto. É mais para você manter o mesmo nível de governança coorporativa. Talvez nesse turbilhão político que o clube está, as pessoas não consigam ver o cenário a longo prazo. Acho que seria mais prático investir as energias em como não repetir isso no futuro. Certo ou errado, a consequência está aí. Agora tem que se lidar com a consequência.

Nota da Flusócio: ressaltamos recentemente as limitações dos órgãos de controle do Fluminense e propusemos uma mini-reforma estatutária para transformá-los em mecanismos verdadeiramente funcionais de governança. Lamentamos que a política do clube no momento não contribua para este nível de debate avançar. Clique aqui para mais detalhes.

NETFLU – Os caminhos já foram traçados, a partir das orientações da EY. Quais são as perspectivas para o futuro no caso do Fluminense em curto prazo?

ALEXANDRE RANGEL – Todo o processo de recuperação financeira é um processo de anos. Não estamos de recuperação de dois, três anos, mas de diversos anos. O Fluminense está no seu segundo ano de tentativa de equacionar contar. Aparentemente está indo bem. Equacionar contas significa corte de custo. O Fluminense está nisso há dois anos. E passa muito pelo profissionalismo do clube. A perspectiva de curto prazo é boa do ponto de vista de equilíbrio de custo, evitando que o clube seja punido, dentro da nova legislação de fair play financeiro do futebol brasileiro, não perder o Profut, acho que esse isso é o principal objetivo de curto prazo. Agora, depende do caminho que o Fluminense vai tomar. Se o Flu continuar operando como clube social, onde diversas correntes políticas se degladiam pelo poder, certamente isso não vai levar a nada promissor. Agora se tiver um compromisso verdadeiro, onde se pense no Flu acima das correntes partidárias, existe a chance do Fluminense seguir como clube de grande relevância nacional. É difícil hoje olhar para a política do Fluminense e ver um movimento de criar um consenso político em termos de ideias profissionais e modernizadoras, mas olhando de forma distante.

NETFLU – Muita gente demonizava a atuação da EY por conta das orientações de cortes, incluindo de funcionários. Como trabalhar com essa imagem de “carrasca” quando há prestação de serviço para um clube onde é necessário fazer uma reestruturação financeira?

ALEXANDRE RANGEL – A gente está acostumado com isso. Fazemos isso em várias empresas, o ano todo e há muito tempo.Fazemos com profissionalismo. Temos de entender qual é a real necessidade do clube, se é melhor ter ou não ter determinada quantidade de pessoas. É muito estudo e análise fria em cima do resultado. Às vezes pior do que discutir o administrativo é quando você tem que fazer corte no futebol, porque aí também mexe com a torcida, mas acaba sendo inevitável também. O principal componente de custo no futebol é o departamento de futebol, jogadores e comissão técnica. Então é ali que maior parte dos ajustes precisam ser feitos.

Mais uma vez convocamos todos os tricolores neste momento difícil para apoiarem a instituição e seu processo de recuperação econômica. São tempos difíceis, mas que podem ser superados como inúmeros outros de nossa história.

Pelas três cores

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Há décadas o Fluminense sofre com graves problemas financeiros. Temos uma dívida de mais de R$ 631 milhões, construída ao longo de toda nossa história. Embora boa parte disso esteja embutida em refinanciamentos, é um fardo pesado demais para o momento do clube. O problema principal são as dívidas bancárias altíssimas, acima dos R$ 110 milhões, o fluxo de caixa comprometido e as despesas financeiras com juros e atualização monetária, que consomem boa parte do orçamento de aproximadamente R$ 220 milhões. Por exemplo, só com juros bancários foram gastos mais de R$ 11 milhões no ano de 2017.

A diretoria atual está se esforçando, embora ainda não seja suficiente. Para o ano de 2018, os poucos investimentos priorizaram jogadores escolhidos por scout técnico e sem custo de aquisição, tais como Nathan Ribeiro, Dódi, Gilberto, Jadson e Luan Peres. A folha de pagamento do Depto de Futebol, considerando jogadores, funcionários e encargos, precisou ser reduzida de aproximadamente R$ 7 milhões para pouco mais de R$ 3 milhões. Mas mesmo assim o Flu tem dificuldades para honrar seus compromissos. Os motivos são inúmeros, mas dentre os principais podemos citar os seguintes:

1) No início do ano, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) impôs ao clube um bloqueio de 30% de todas as receitas para pagamento de multa relativa ao caso Wellington Nem, vendido em 2013, transação que no entendimento da PGFN desrespeitou um bloqueio integral de receitas vigente na época, algo que na prática inviabilizava o clube. Mas o próprio Governo Federal já celebrou por lei acordos de refinanciamento (REFIS e PROFUT) das dívidas que deram origem ao bloqueio do dinheiro naquela época. Enquanto o Fluminense questiona a situação judicialmente, com esforço o clube conseguiu junto ao STJ, via liminar, uma redução para 15% do bloqueio atual nas receitas. Desta forma, o Tricolor conta atualmente com apenas 85% de sua receita orçada para 2018;

2) Em meados de 2017, o TJ-RJ decidiu impor ao Fluminense uma revisão no contrato que o clube possui com a Odebrecht. Com o Maracanã fechado e sem previsão de reabertura, o clube entrou na Justiça para fazer valer seu contrato nas vésperas da partida contra o Liverpool-URU, pela Copa Sul Americana. E conseguiu. Mas na sequência a empresa alegou desequilíbrio por conta da mudança no plano de negócios, com a retirada do escopo da concessão, por parte do Governo do Estado do RJ, do Edifício Garagem e do Shopping que estavam previstos para as áreas do Museu do Índio e do Célio de Barros, respectivamente.

O Consórcio Maracanã passou então a pleitear a cobrança de aluguel e outros itens que não estavam previstos no contrato inicial com o Fluminense, pois na prática sobrou apenas o “match day” como principal forma de remuneração do contrato de concessão. O TJ-RJ infelizmente acatou essa tese via liminar, impondo ao Fluminense um custo médio de R$ 480 mil para jogar no estádio, dentre despesas operacionais e aluguel de R$ 100 mil fixos por partida (para o CRF, o custo é maior). Com isso são necessários cerca de 17 mil pagantes, considerando ingresso de R$ 50,00 (inteira), para zerar os custos do borderô. Infelizmente, no campeonato brasileiro de 2018, apenas no jogo contra o São Paulo esse patamar foi alcançado; em todos os demais o Fluminense “pagou para jogar” com prejuízo médio de R$ 200 mil por partida;

3) Penhoras: Neste ano as contas do clube já sofreram penhoras para pagar alguns processos antigos, por exemplo, a dívida com o gerente financeiro Humberto Palma, principal executivo da gestão Horcades, e com o jogador Dieguinho, que atuou no clube em 2009. Outros problemas do gênero também aconteceram.

4) O mercado de patrocínios infelizmente segue recessivo com a crise que assola o país. Outros clubes como Vasco e Corinthians sofrem sem patrocinadores master e o nosso também atrasou algumas parcelas. Os patrocínios menores que eram expressivos, como a Frescatto, infelizmente tiveram que se desligar por conta do aperto financeiro.

5) Nosso número de sócios não é suficiente para fazer frente às despesas e nem para equilibrar em investimentos com nossos rivais, é preciso crescer neste item. A torcida é o suporte econômico da sua paixão em qualquer clube e se não for desta forma, investir torna-se um desafio quase intransponível.

6) Até o fim da parceria com a Unimed, que rescindiu com o clube em dez/2014, havia o investimento que provocava o sopro de competitividade que nos permitia sonhar. Mas desde jan/2015 o parceiro se foi, sofreu intervenção federal da ANS, e de uma hora pra outra o clube foi obrigado a fazer 100% do seu futebol sozinho. Essa saída sem transição também contribuiu para um aumento abrupto das despesas;

Hoje está claro que, em janeiro de 2015, o Fluminense deveria ter apostado em sua base e em reforços pontuais. A estratégia de elenco para 2018 precisava ter sido usada já em 2015. Mas a decisão de celebrar novos contratos caríssimos (e muitas vezes longos) com os jogadores que tinham patamar salarial Unimed agora cobra seu preço. Ainda houve aumento de gastos com Ronaldinho, Oswaldo, Cícero e Pierre, atletas caros que chegaram em meados do ano, na esteira dos recursos extraordinários oriundos da venda do Gerson, a melhor da história do clube, e das luvas do contrato Globo para 2019-2024. Em 2016, o padrão de gastos continuou com as contratações de Henrique Dourado, Henrique, Marquinhos, Richarlison e os equatorianos Sornoza e Orejuela, todos com elevado custo de aquisição. Apenas no intervalo entre 2015 e o início de 2016 tivemos cinco comissões técnicas, com todos os custos de rescisão que representam seus desligamentos. Ainda houve investimento alto no Centro de Treinamentos, este ao menos um ativo importante para a eternidade, e gastos elevados na adesão ao PROFUT e na quitação da dívida com o Porto pela contratação do atacante Walter. O grande problema foi fazer tudo ao mesmo tempo.

Nós da Flusócio também falhamos, pois poderíamos ter sido mais diligentes, assim como todo o Conselho Deliberativo da época, que era uma composição com os grupos Tricolor de Coração, Democracia Tricolor e Ideal Tricolor. Todos os principais grupos que hoje se apresentam como oposição tinham cargos no Conselho Diretor da gestão Peter Siemsen. São exemplos disso Cacá Cardoso (pertencente ao grupo Flu 2050, Vice Jurídico até 2015), Sady Monteiro Jr (pertencente ao grupo Tricolor de Coração, Vice Financeiro em 2015 e 2016), e Mário Bittencourt (hoje também integrante da Tricolor de Coração, Vice de Futebol de 2014 até o campeonato carioca de 2016). Embora hoje esteja claro que tais investimentos à época estavam sendo realizados com receitas que não eram ordinárias, ninguém atuou para impedir tais contratos. Pelo contrário, alguns dos que agora se colocam como solução foram tomadores diretos de muitas daquelas decisões. Hoje o clube infelizmente paga o preço delas em suas finanças.

Mesmo com o desgaste da perda de narrativa por também ter sido aliado na gestão anterior, o presidente Pedro Abad se propôs a dar o “cavalo de pau” que precisava ser dado, e vem mantendo o mesmo norte de redução de despesas para reequilíbrio orçamentário desde o início do seu mandato, além de manter uma única comissão técnica até o pedido de demissão do treinador Abel Braga.

Mas apenas reduzir o custeio não basta. O grande desafio é subir o patamar de receitas para atingir novamente o reequilíbrio econômico, algo que só será possível através de dinheiro extraordinário. Uma vez recuperada a estabilidade financeira, o Flu naturalmente voltará a intensificar investimentos para crescer de forma sustentável.

Se a torcida estiver junto, o Fluminense tem todas as chances de se reerguer. Sim, o clube já suportou situações piores e sempre será viável se todos os tricolores estiverem no mesmo barco, mesmo nos momentos difíceis. A pregação de ódio, de abandono nos jogos e de saída de sócios é algo que não ajuda a nossa instituição.

80% de desconto para Flu x Santos!

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Após 4 rodadas com jogos muito duros fora do RJ, o Flu volta ao Maracanã nesta quarta, às 19h, para enfrentar o Santos. O nosso time, que tem 83,3% de aproveitamento jogando no estádio (3v e 1e), conta com o apoio da torcida para tentar mais uma vitória na competição.

Para esta partida, há uma mega-promoção em andamento: os sócios dos planos Eterno Amor, Construa o CT e Pacote Jogos terão 80% de desconto no ingresso, ou seja, pagarão apenas R$10 para assistir este clássico ao vivo. Outras categorias seguem com os mesmos descontos dos jogos anteriores.

PREÇOS

Sócios Tricolor de coração, check-in e Pacote Futebol – Desconto: 100%
Valor do ingresso: R$ 0
Check-in on-line – Do dia 8/6, sexta-feira, às 18h até dia 12/6, terça-feira, às 23h50

Sócios Eterno Amor, Construa o CT, SF e Pacote Jogos – Desconto: 80%
Valor do ingresso: R$ 10
Check-in on-line: Do dia 9/6, sábado, às 18h, até dia 12/6, terça-feira, às 23h50

Sócios Guerreiro – Desconto: 20%
Valor do ingresso: R$ 40
Check-in on-line: Do dia 10/6, domingo, às 18h, até dia 12/6, terça-feira, às 23h50

PÚBLICO GERAL – R$50,00

Lembramos que não é necessário esperar a chegada da carteirinha para usufruir dos benefícios nos jogos. Basta experimentar a modalidade de e-ticket, sem filas.

Os sócios também podem adquirir seus ingressos com benefícios nos pontos de venda, na Sede do Fluminense e no Maracanã.

Seja Sócio, acesse http://www.fluminense.com.br/sejasocio, até o dia 11/6, às 16h e garanta o seu desconto!

Além dos benefícios nos jogos, você também aproveita toda a rede de descontos em supermercados do Movimento por um Futebol Melhor.

Clique aqui para conferir todas as demais informações sobre a venda de ingressos.

Meta batida, mas o crowdfunding continua!

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Pela sexta vez consecutiva desde o ano de 2012, o Fluminense usou a estratégia de um financiamento coletivo para viabilizar um sonho e conseguiu ser de novo bem-sucedido. A Flu Fest já é uma realidade, que cresce a cada edição, trabalhada de modo criativo e inteligente, nitidamente com muita pegada e sangue tricolor.

Todo torcedor que aderir ao projeto vai passar um 21 de Julho especial nas Laranjeiras. E pelo menos até o dia 18 de Julho, ou enquanto durarem as vagas, é possível participar. Acesse o site e faça parte dessa história. Será uma inesquecível celebração em verde, branco e grená com torcedores de todo o país.

Agressividade sem entregas

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Na noite de ontem no Conselho Deliberativo, em mais uma reunião convocada via requerimento basicamente por seus próprios conselheiros, a chapa Fluminense Unido e Forte (FUF) tentou na tribuna justificar a sua saída da gestão Pedro Abad.

A pauta da reunião solicitada no requerimento foi a explicação do assunto Gérson, maior venda da história do Fluminense, realizada em 2015 e um dos claros frutos do investimento maciço em Xerém que a Flusócio sempre defendeu desde que fazia parte da oposição. O segundo item da pauta foi Assuntos Gerais.

O assunto Gerson foi superado rapidamente, pois a falta de pagamento aos parceiros nos direitos econômicos do atleta é uma situação já amplamente conhecida, e não foi um problema criado pela atual gestão. Além disso, o detalhamento sobre toda a operação de venda foi realizado pela gestão Abad através de nota explicativa no balanço de 2017, de forma a deixar o assunto o mais transparente possível. O documento é público e pode ser consultado na íntegra no site oficial do Fluminense.

Durante o item de pauta Assuntos Gerais, infelizmente os integrantes da FUF se revezaram na tribuna em ataques ao Presidente Pedro Abad e sua base aliada.

O ex-Vice Presidente Geral Cacá Cardoso disse que seu grupo foi vítima de um golpe, acusação confusa para alguém que estava no Conselho Diretor da gestão Peter Siemsen, atuando como Vice-Presidente de Interesses Legais até 2015, e que durante a campanha eleitoral de 2016 prometeu contratações como as de Marcelo e Thiago Silva, além do aporte de investimentos a ser realizado por contatos empresariais que nunca sequer se aproximaram do clube.

Além disso, há menos de dois meses atrás, o Sr Cacá Cardoso surpreendeu a todos sentado na primeira fila de uma reunião onde sua base aliada decidiu pleitear a renúncia do Presidente Abad. Aqui merece registro o constrangedor cuidado em exigir a renúncia ao invés do impeachment, pois neste caso a Presidência cairia em seu próprio colo. No caso de impeachment, o Estatuto do Fluminense prevê novas eleições.

A nota do grupo Flu 2050, um dos integrantes da chapa Fluminense Unido e Forte, ressalta que eram seus objetivos “criar condições, através de uma administração sólida, transparente e responsável, para que o Fluminense se tornasse atrativo ao mercado”. Mas na prática, a pasta de Finanças perdeu prazo legal para apresentação do balanço patrimonial de 2017, algo inédito no Fluminense, sujeitando a instituição ao achincalhe público e às inúmeras sanções previstas em lei.

Também tentam imputar ao Presidente Abad “decisões unilaterais”, tais como:

(i) O não pagamento do jogador Gustavo Scarpa, num cenário em que o clube terminou o ano de 2017 com apenas 18 mil reais em caixa;

(ii) A forma de demissão dos jogadores, quando o ex-Vice Presidente de Finanças, Sr. Diogo Bueno, foi à tribuna em 29/12/2017 defender a estratégia, na reunião de aprovação do orçamento 2017, reforçando que “os atletas estavam irredutíveis”;

Agride a inteligência do torcedor sair do barco tentando se empoderar de alguns itens, tais como:

(iii) Estruturação para que o clube tenha sua operação de e-commerce, assim como, para a expansão do número de lojas, quando na verdade, após 18 meses de gestão de marketing conduzida pela FUF, ainda somos o único dos grandes clubes do Brasil sem aplicativo móvel funcional, sem loja oficial online e sem a criação de nenhuma outra loja física além das 3 que já existiam antes de assumir (Laranjeiras, Nova Iguaçu e Brasília);

(iv) O contrato Under Armour, uma conquista de todo Fluminense, mas que após um ano de duração ainda tem ausência na distribuição de vários itens para o varejo, mesmo num cenário onde o Fluminense recebe através de percentual por peça vendida;

É importante que o torcedor saiba que:

(v) A operação financeira chamada FDIC ainda está sendo avaliada. Infelizmente as condições financeiras trazidas pelo ex-Vice Presidente de Finanças são pesadas para o Fluminense, e em reunião do Conselho Diretor, o próprio Cacá Cardoso concordou com a maioria dos demais que o clube deveria antes buscar outras alternativas, com taxas mais favoráveis, algo que está sendo tentado neste momento;

(vi) Todas as demandas jurídicas citadas possuem escritórios especializados contratados para execução das mesmas, tanto nas esferas trabalhista, como tributária e cível, pagos com recursos do Fluminense FC, e são estes prestadores de serviços que conduzem as demandas judiciais sob a supervisão dos profissionais do Jurídico interno;

(vii) O DIM (Documento Interno de Memória) sobre as negociações de jogadores já existia no clube desde a gestão Peter Siemsen, conforme explicado pelo Presidente Abad em reunião recente do Conselho Deliberativo;

(viii) O projeto de revitalização de Laranjeiras é apartidário e está sendo tocado por um grupo de associados, não depende em nada da FUF, como já foi dito nas redes sociais por vários de seus integrantes. Os maiores desafios de seus idealizadores são conseguir as licenças para as obras e principalmente a estruturação financeira, com uma fonte firme de financiamento;

Reiteramos nosso apoio ao Presidente Pedro Abad no Conselho Deliberativo e solicitamos ao Presidente da Mesa Diretora, Sr Fernando Leite, que as pautas do Conselho Deliberativo voltem à normalidade estatutária.

É preciso voltar o foco para a deliberação sobre contas do exercício 2017 e refutar assuntos ligados apenas à parte política, que infelizmente se tornaram uma rotina na casa há alguns meses.

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