Desmandos e arbitrariedades

B8W6lu3IQAAmehr

O campeonato carioca de 2015 já se anunciava turbulento há tempos, pelo menos desde a eleição de Eurico Miranda no Vasco da Gama. Somado a Rubens Lopes, ele não perdeu tempo em tentar retomar espaço na marra, criando polêmicas desnecessárias com preços de ingresso, ocupação do Maracanã e outros tópicos menos importantes que lhe garantem a simpatia dos demais clubes pequenos da federação do Rio de janeiro.

Ontem foi mais um dia com acontecimentos tristes para o torcedor. Marcelo Carlos Nascimento Vianna, Diretor do Departamento de Competições da FFERJ, emitiu uma nota lamentável, cujos trechos destacaremos com comentários abaixo:

“Considerando que o Presidente do filiado Fluminense FC alega, para não cumprir as normas desportivas, e as decisões dos órgãos colegiados a que está subordinado, um suposto contrato assinado com o Maracanã, sem a anuência da FERJ;

Considerando que o presidente do filiado Fluminense FC, apesar de instado a fazê-lo em diversas oportunidades, recusa se a apresentar o contrato supramencionado;
(…)
Considerando que a direção do estádio do Maracanã, está pretendendo interferir no Campeonato Estadual, sem nenhuma competência para tal, cabendo-lhe tão somente estabelecer o custo para a utilização do estádio e nada mais do que isso;

Considerando que a direção do Maracanã manifestou-se publicamente contrária às decisões emanadas do Conselho Arbitral do qual é figura estranha;(…)”

O Fluminense tem um contrato PRIVADO, assinado com o Consórcio Maracanã. Não é necessária a anuência da Federação para isso, chega a ser risível a afirmativa. A postura do Consórcio, que ao lado da dupla Fla e Flu já se manifestou contra o arbitrário e infeliz desconto geral nos preços dos ingressos, obviamente desagrada a FERJ, que talvez torça para que o estádio volte à administração do Estado para poder mandar no que quiser e à vontade. Além disso, o deboche sugerido com a utilização de termos como “suposto” é um desrespeito a um afiliado, um grande afiliado, um dos quatros principais afiliados, por quem a federação deveria TEORICAMENTE zelar.

RESOLVE transferir o local da partida entre Fluminense FC x Friburgense AC, válida pela primeira rodada do Campeonato Estadual de Profissionais da Série A, inicialmente programada para o estádio Mário Filho, para esta seja realizada no Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, mantidos o horário (19:30h) e a data (01/02/2015 -domingo), com a preliminar entre as equipes de juniores ficando marcada para o mesmo local, no mesmo dia, às 17:00h. Esta resolução entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 2014.”

O esvaziado e ridicularizado campeonato carioca, que poderia ter ao menos um jogo no domingo no Maracanã, tem sua primeira rodada morta desde o nascedouro. Um domigo de férias, com crianças, torcida tricolor ansiosa pelo início do ano e o time com caras novas. Estranhamos o silêncio da imprensa quanto às arbitrariedades e desmando, principalmente quando a rede Globo é a principal financiadora e interessada na imagem positiva do campeonato.

Quanto aos demais envolvidos, o Vasco está alinhado desde o início com a Federação, não há sequer dúvida. Chegamos ao cúmulo dos principais representantes das entidades falarem em nome da outra instituição sem o menor pudor. O Botafogo, no limbo de uma queda para a série B, parece não se importar. Flamengo e Fluminense, por enquanto, duelam juntos nesta trincheira, embora saibamos que o peso da mídia é muito maior quando associado ao outro lado e não se sabe até onde vão as afinidades.

O Fluminense lançou uma nota espetacular no fim da tarde desta terça-feira. Sigamos brigamos pelo que é nosso e é justo.

FERJ: a vanguarda do atraso

Rubinho

No ano passado, após o fiasco do Brasil na Copa do Mundo, muito se disse que o famigerado 7 a 1 não foi por acaso.

Seis meses após aquele atestado de falência do futebol brasileiro, eis que a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) “reconhece a firma” no atestado, e resolve adotar práticas absurdas com os clubes que a sustentam e a fazem existir.

Ao invés de simplesmente sentar-se com os clubes e buscar uma reformulação para o torneio, a Federação começa criando uma desprezível “lei da mordaça”, impondo multa para os clubes que institucionalmente depreciarem o campeonato.

Em seguida, limitou a inscrição de atletas de categoria “júnior”, mesmo em total contradição ao argumento de que o Campeonato Carioca serve para divulgar atletas. Paralelamente, descaracteriza a figura do mandante dos jogos, para poder controlar onde as partidas se realizarão, esquecendo-se do regulamento nacional de futebol sobre a matéria.

Logo após, tenta atropelar compromissos contratuais dos clubes com o consórcio que administra o Maracanã, criando uma norma totalmente kadafiana de que ela, FERJ, define o lado em que cada torcida ficará no ex-maior do mundo. Após atropelar, tenta passar novamente por cima desses compromissos ao buscar um tresloucado tabelamento de preços para as partidas do torneio, e tentar dispor sobre meia entrada, ao arrepio da lei.

Não bastasse isso, a federação demonstra que não se preocupa minimamente com o fato de o Campeonato Carioca ser deficitário, e mais deficitário a cada ano. Ela atropela os orçamentos dos clubes e não pretende dar a menor satisfação.

Ou seja, é uma instituição cega para a realidade. Congelada na década perdida, dos fins da ditadura, em que valia o “sabe com quem está falando?” e o “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Unidos, os clubes brasileiros seriam poderosíssimos. Desunidos, dão margem farra dos dirigentes das federações. Isso fica muito claro no Rio de Janeiro, onde temos uma federação que privilegia alguns afiliados em detrimento de outros, tem atitudes autoritárias e retrógradas e que impõe um campeonato insosso, deficitário e totalmente ultrapassado.

No entanto, alvíssaras, finalmente estamos vendo dois clubes, ao menos dois – e felizmente um deles é o Fluminense – se unindo contra o festival de besteiras da federação do Rio. Fluminense e Flamengo lançaram manifesto conjunto, com cinco itens, repudiando as recentes decisões arbitrárias que estão tentando impor aos já financeiramente combalidos clubes do Estado.

A FERJ parece não perceber que ela é quem depende dos clubes, e não o contrário. Que sem os grandes clubes do Rio (notadamente Fluminense e Flamengo, rivais históricos que fizeram o futebol do Rio ser conhecido mundialmente), ela não é nada além de um instrumento de poder simbólico. E se pretende se utilizar de força bruta, impondo regras abjetas e contrárias a leis e outros regulamentos desportivos superiores, é porque assina embaixo da própria inépcia e incapacidade de se reformular.

Quem perde com isso não é apenas o Fluminense, é o futebol do Rio como um todo, com resultados cada vez mais inexpressivos no cenário nacional, e menos times na série A do que, por exemplo, o futebol catarinense.

“Ao vencedor, as batatas”, ou coisa que o valha. E aos perdedores, ou seja, todos nós que admiramos futebol (e a própria federação, que se enfraquece sem perceber), o que resta dos 7 a 1.

Adeus Conca e vida que segue

Conca

A missão da torcida é não cair na pilha da imprensa e crucificar o jogador que tem uma proposta de ganhar R$ 2,3 milhões mensais por 2 anos, aos 31 anos de idade.

É claro que ele fez força pra ir, pois é profissional, vive disso. E convenhamos, este novo contrato milionário paga até a 5.a geração dele.

Mas Conca sempre honrou a nossa camisa, foi decisivo inúmeras vezes e jamais será esquecido.

Os abutres da imprensa também tentaram fazer o mesmo com Romerito, com aquela bobagem de “quero meu dinheiro”, lembram? Mas não conseguiram colar nele a pecha de mercenário. Don Romero foi craque, foi decisivo e sempre estará no coração da nossa torcida.

Sobre a negociação: a multa integral para venda ao exterior é de EU$ 20 milhões, fixada em contrato. Mas como o jogador cumpriu 1 ano do compromisso, ele passa a deter uma parte maior dos direitos econômicos, enquanto clube e investidor passam a deter menos do que detinham no ato da assinatura.

No momento, o Flu possui 16% dos direitos econômicos, a Unimed tem 52% e o próprio Conca tem 32%. Ou seja,  a parcela máxima cabível ao Fluminense seria de EU$ 3,2 milhões no caso da multa integral ser paga pelo clube comprador.

Porém, como o valor total oferecido pelos chineses a título de indenização foi de EU$ 3 milhões – por conta da idade do atleta e da possibilidade quase inexistente de revenda – e como não tem como segurar a vontade do jogador diante de uma proposta deste porte, então Fluminense e Unimed duelaram por mais de uma semana para obter para si a maior parte da quantia indenizatória.

O Flu conseguiu se impor na negociação e ficou com 75% do montante máximo que poderia obter, ou seja, pouco mais de EU$ 2 milhões, além da quitação de todos os pagamentos atrasados com Conca, que se somam ao valor final da transação.

A Unimed ficou com algo próximo a EU$ 1 milhão, ou seja, 10% do valor que teria direito caso a multa fosse paga integralmente pelos chineses. Provavelmente a ex-patrocinadora aceitou porque precisa muito da desoneração das despesas com os direitos de imagem contratados ao jogador, que ainda teria dois anos de vigência ao custo de R$ 500 mil mensais.

Apesar da evidente perda técnica, outros grandes jogadores vão permanecer no elenco. E o dinheiro levantado com esta negociação certamente será importante para quitar os atrasados com os demais jogadores e colocar a casa em ordem. Vida que segue.

Sobre a participação na Florida Cup

Florida Cup

O Fluminense participou do recentemente criado torneio Florida Cup, nos Estados Unidos, uma mescla de torneio de clubes com “Copa Davis” aplicada ao futebol, onde os times de um país enfrentam os de outro, e são somados os pontos obtidos por cada time em seus confrontos individuais, sendo vencedora a nação que somar a maior pontuação total. Os jogos:

Bayer Leverkusen 3 x 0 Fluminense
Köln (Colônia) 1 x 0 Corínthians
Fluminense 2 x 3 Köln (Colônia)
Corínthians 2 x 1 Bayer Leverkusen

Resultado final do torneio: Colônia campeão com duas vitórias, Alemanha país vencedor com 9 pts (Brasil obteve 3 pts).

A participação do Fluminense pode ser avaliada por basicamente dois vieses: o comercial e o esportivo.

No viés esportivo, o resultado de 2 derrotas, 6 gols contra e apenas 2 pró, é indiscutivelmente ruim. É início de temporada e foi notório o uso do torneio como jogos-treino, seja pelo cuidado com a preparação física e receio de lesões, seja por conta do interesse da Comissão Técnica em observar os vários novos atletas recém contratados ou subidos da base, fato que renovou consideravelmente o elenco para 2015. A participação no torneio gerou polêmica entre os tricolores exatamente pela preocupação com a preparação física. A troca de times inteiros nas viradas de tempo das partidas demonstrou que essa preocupação também existiu na comissão técnica. Os segundos-tempos foram tecnicamente ainda abaixo do que jogamos nos primeiros, devido principalmente ao desentrosamento, alguma insegurança dos novos contratados e falta de organização tática.

Compreendemos as dificuldades, inclusive pelo momento de incerteza que passam alguns jogadores que recebem pela ex-patrocinadora devido ao seu não pagamento, assim como o cuidado com o nosso artilheiro e capitão Fred, que sequer entrou em campo nos dois jogos realizados. Porém, foi visível o interesse e dedicação maiores do outro clube brasileiro, o Corinthians, que teve o mesmo período de férias e de início de preparação até o torneio. Apesar da pouca expressão, considerando ser um torneio internacional e com transmissão para dezenas de países, esperávamos uma motivação maior do Fluminense em fazer apresentações dignas de um dos gigantes do futebol brasileiro, mas não foi isso que aconteceu.

No viés comercial, acreditamos que a exposição da marca em um mercado como o norte-americano, mais especificamente na Flórida, onde residem muitos sul-americanos ou descendentes que se interessam por futebol, e principalmente, pela possibilidade de realizar um importante networking com empresas e empresários americanos interessados em investir no crescente mercado de futebol nos Estados Unidos – convênios, parcerias, empréstimo/venda de atletas -, considerando ainda que em geral as pré-temporadas no Brasil geram despesas e não lucro financeiro como ocorreu nesta, entendemos que a participação, nesse aspecto, pode ter sido positiva.

Há de se considerar ainda as excelentes instalações que o Fluminense teve à disposição para treinar, bem como o clima ameno do inverno americano, que favorece o trabalho de preparação, ao contrário do calor infernal que está ocorrendo no Sudeste do Brasil.

Mas não podemos deixar de ressaltar o baixíssimo investimento do Fluminense em Marketing para o evento. O clube enviou apenas 2 (dois) colaboradores para cobrirem e atuarem no torneio e nas ações paralelas de promoção. Para efeito de comparação, o rival paulista enviou cerca de 20 (vinte) pessoas de sua equipe de Marketing, que realizou inclusive transmissões ao vivo através da “TV Corinthians”.

Apesar do resultado esportivo comprometedor, esperamos que o clube obtenha bons dividendos comerciais de sua participação e, principalmente, faça uma autocrítica e melhore o seu investimento na área de Marketing, pois sem plantar fica muito difícil colher.

Esperamos ainda que o time se acerte esportivamente, que as dúvidas acerca de quem ficará e quem sairá sejam rapidamente sanadas para que todo o elenco esteja motivado e focado nos bons resultados e na disputa de títulos. E que o técnico Cristóvão defina o seu time e dê entrosamento, organização e gana de vencer ao Fluminense. Faltam apenas 13 dias até a estréia do Carioca.

Novo patrocínio

novopatrocinador_fluminense-rep

O Fluminense anunciou ontem mais um patrocínio para a temporada 2015. Trata-se da Frescatto, empresa do ramo de pescados e regida por Tricolores. De acordo com o que foi divulgado pela imprensa, o valor fechado ficou em 4 milhões de reais por um ano de contrato. Podemos considerar um ótimo patrocínio se compararmos com os valores fechados pela dupla mineira, Cruzeiro e Atlético, que para o mesmo espaço na camisa receberá cerca de 1,2 milhões por ano.

Com a saída da Unimed no final do ano passado, ficou evidente que precisamos de novos patrocínios para podermos arcar com os compromissos e manter os craques do futebol profissional. Só com essas parcerias isso será possível. Parabéns a todos que trabalharam para mais esse acordo. Que venham os parceiros para as mangas da camisa e para os números!

A Frescatto tem tudo para alavancar ainda mais suas vendas com esse patrocínio, pois logo no primeiro dia do anúncio a empresa ficou nos “Trendind Topics Brasil” no Twitter por mais de 6 horas e já saiu em destaque em diversos veículos de comunicação, inclusive a capa de hoje do jornal O Globo. Além disso, certamente a torcida Tricolor irá prestigiar a marca, fazendo com que a Frescatto fique ainda mais conhecida no mercado nacional.

Parabéns ao Fluminense e à Frescatto por acreditar na parceria!

1 2 3 103