Estatuinte e Código de Ética

estatuto-livros-do-fluminense-1975-e-1981Na sessão do Conselho Deliberativo realizada ontem, conselheiros do Fluminense, representantes basicamente da Flusócio e conselheiros independentes, apresentaram requerimentos à Mesa Diretora para dois monumentos normativos importantíssimos para o Clube.

O primeiro deles é o pedido de instauração de uma Estatuinte no Fluminense. O requerimento apresentado se destina, nos termos do Estatuto do Fluminense, a que o Conselho Deliberativo vote, na sessão de janeiro de 2015 (a primeira do ano), sobre a necessidade de se instaurar a reforma do atual Estatuto do Clube. A última Estatuinte foi concluída em 2001.

O propósito principal dessa votação é permitir que o Conselho Deliberativo prepare, por todos os seus membros, uma minuta de novo Estatuto do Fluminense Football Club, a fim de ser levado à votação pela Assembleia Geral, como determina o Código Civil em vigor. A intenção, com isso, é democratizar ao máximo as discussões sobre o novo Estatuto, evitando verticalizações ou mesmo problemas futuros de discussão sobre a legitimidade do quanto levado à votação da Assembleia Geral.

Vale lembrar que o Estatuto atual possui diversos pontos a serem melhorados ou alterados. Não há regras objetivas sobre a responsabilização dos gestores em caso de administração financeira temerária, faltam normas de controle e execução do orçamento, bem como outras relativas à proteção dos símbolos do Clube.

Por outro lado, o Estatuto tem regras dúbias e de interpretação questionável, além de ser pouco organizado. Tudo isso, em um documento de regras básicas, só vem dificultar que todas as normas e mesmo a estruturação administrativa do Fluminense se desenvolvam.

Anos atrás o Estatuto ora vigente sofreu uma alteração pontual, que permitiu a criação de uma categoria de associado cujo interesse reside unicamente no futebol do Fluminense fosse criada, com poder de voto. Essa foi a maior abertura democrática da história do Fluminense, bandeira da Flusócio, e que hoje permite ao torcedor tricolor exercer plenamente sua cidadania.

Aquela reforma foi ainda crucial para que o Fluminense sobrevivesse ao período tenebroso das penhoras excessivas feitas às receitas do Clube. Sem a mensalidade do sócio futebol, estaríamos hoje em uma situação realmente muito difícil.

De toda forma, não nos contentamos apenas com isso. Sabemos que o Estatuto do Fluminense precisa de uma série de mudanças, seja para modernizá-lo ou mesmo torná-lo mais claro, e para isso uma Estatuinte se faz necessária.

Contamos com o apoio e a participação de todos. A Flusócio atua como representante da arquibancada no clube, pela sua origem e formação dos seus membros, e valoriza a participação na deliberação democrática por todos os cidadãos tricolores. Até por isso, vamos receber propostas de regras estatutárias na caixa de mensagens do grupo (flusocio@gmail.com), a fim de que você possa fazer parte desse importante processo.

O segundo dos requerimentos apresenta e conclama o Conselho Deliberativo para votação de um Código de Ética e Manual de Conduta do Fluminense Football Club, na mesma esteira de grandes grupos empresariais, as quais possuem normatizações basilares de conduta, para que os funcionários, atletas e demais representantes do Fluminense sigam padrões profissionais de comportamento. Esse Código, uma vez aprovado pelo Conselho Deliberativo, terá observância obrigatória por todos, e consiste em um importante pontapé inicial para que cada departamento do Clube estabeleça rotinas e procedimentos de ação.

Nós discordamos

DiasagreeE o ano de 2014 vai terminando para o futebol do Fluminense, uma temporada com performance apenas mediana no Campeonato Brasileiro, nenhuma final disputada e eliminações precoces na Copa do Brasil e na Sul-Americana, sendo a primeira vexatória.

Nos últimos dias, um debate tem sido a rotina em Laranjeiras: reflexões públicas sobre o desempenho 2014, com alguns jogadores afirmando que “ainda fizeram muito”, justificando a performance aquém das expectativas por conta de supostos problemas internos.

Em entrevista muito franca ao Globoesporte.com, o meia Wagner, que aliás fez uma ótima temporada dentro de campo, justificou o mau desempenho do time dizendo que atrasos pontuais de premiações e salários foram detalhes que fizeram a diferença. Só se esqueceu que o time perdeu para o Coritiba e levou uma goleada humilhante da Chapecoense dentro de casa, quando todos os pagamentos atrasados já haviam sido quitados, exceto os direitos de imagem por parte do Flu, parcela que representa cerca de 10% da remuneração de apenas 6 atletas.

Até então, o Fluminense ainda sofria a asfixia financeira provocada pelas penhoras de suas cotas da TV Globo, principal receita ordinária da instituição, que só foi liberada após a adesão ao Clube no REFIS em 25/08, outro fato que demandou grande esforço financeiro, pois 20% de toda a dívida fiscal desde 2007 precisa ser paga em 5 parcelas fixas, no ato da adesão. Os pagamentos ainda acontecendo.

O mesmo problema de asfixia financeira aconteceu com outros clubes, como por exemplo o Atlético-MG, onde o time faz ótima temporada, os jogadores vem jogando com muita alma, revertendo confrontos eliminatórios na base da garra, demonstrando uma vontade sem limites, algo contagiante que vem enchendo de orgulho sua torcida.

O apoiador Wagner criticou também outros supostos problemas internos, como a troca de comando no futebol. Só esqueceu de dizer que durante o campeonato brasileiro não houve qualquer troca, nem na diretoria de futebol e nem na comissão técnica. O mesmo se aplica ao período da Copa do Brasil e da Sul-Americana.

É fato para todos que a Unimed está sendo obrigada a diminuir os investimentos, situação onde o próprio Fluminense também é vítima, mas que todos precisam entender e se adaptar. Mesmo assim, dentro deste ano chegaram os excelentes Conca e Cícero, além de Henrique e Walter, todos jogadores caros para os padrões do futebol brasileiro.

Durante o segundo semestre, mesmo sem apoio do patrocinador, o Fluminense também conseguiu trazer jogadores de bom nível para compor o grupo, tais como Edson e Guilherme Mattis. A revelação de talentos da base como Marlon também ajudou a encorpar a equipe, assim como a chegada de jogadores medianos mas úteis, como Chiquinho.

Ou seja, ao contrário do que afirmou o atacante Fred em entrevista após o empate contra o Sport, o time de 2014 é muito diferente daquele que quase foi rebaixado em 2013: naquela temporada havia basicamente garotos escalados na fase aguda da competição, além de titulares discutíveis como Anderson, Felipe e Edinho. Naquele ano de muito sofrimento, os longos desfalques do próprio Fred, Carlinhos e Wagner também atrapalharam bastante o Fluminense, além da troca constante de treinadores. Portanto, o goleador e ídolo Fred, sempre muito hábil com as palavras, desta vez foi infeliz na sua colocação.

A nosso ver, o problema das renovações de contrato pendentes também poderia ser melhor entendido pelos jogadores, pois no patamar salarial que já recebem, as renovações dependem muito mais da Unimed que do próprio Fluminense. Certamente não será possível manter todos, mas isso não pode ser desculpa para correr menos, pois todos são profissionais e tem contrato em vigor. Ainda bem que jogadores como Diego Cavalieri deram exemplo de boa conduta, mostrando em campo que vale à pena lutar por sua renovação. Outros deram exemplo fora de campo, como Gum, que lutou muito e acelerou sua recuperação de fratura de forma surpreendente a ponto de ficar à disposição ainda dentro do campeonato. Mas infelizmente o mesmo não pode ser dito sobre todos os atletas que estão com renovação indefinida.

Nós nos solidarizamos com a torcida e não concordamos com as explicações corporativistas que vem sendo dadas pelos atletas, onde alguns tentam tirar o corpo fora a agem como uma espécie de sindicato, pensando apenas em si mesmos e não reconhecendo as dificuldades da instituição. A nosso ver, o insucesso é de todos: time, comissão técnica, diretoria de futebol e patrocinador, que no contexto Fluminense também toma decisões no futebol. Ninguém deveria tentar tirar o corpo fora, muito menos endossar este discurso dos jogadores.

Chegamos ao fim da temporada com uma triste constatação: em nenhum outro clube do Brasil vemos problemas financeiros pontuais colocados tão rotineiramente pelos próprios jogadores como desculpa pública para a má performance esportiva. É mais um indício de que o Fluminense precisa reformular o seu time, além de reavaliar a comunicação e a conduta da direção junto ao grupo de jogadores.

Em clubes como o Atlético-MG, o patrocinador BMG já anunciou que vai embora no fim da temporada, lá também existem problemas de renovações pendentes e houve atraso salarial em 2014 por causa das penhoras fiscais.

Mas lá o time se mata em campo e no Fluminense não? Por quê?

Decisão do Sub-15 em Laranjeiras

Sub15Sábado à tarde é dia do torcedor tricolor comparecer às Laranjeiras e incentivar a garotada de Xerém para conquista de mais um título.

A equipe sub-15 do Fluminense decide o título do Campeonato Carioca contra o Botafogo, às 15:45, no estádio Manoel Schwartz. A vantagem do empate é do Botafogo que ganhou o primeiro jogo no estádio Caio Martins por 2 x 1. Qualquer vitória do Fluminense por diferença de um gol levará a decisão para os pênaltis; vitória do Flu por diferença de dois gols dá o título para a molecada de Xerém.

Precisando vencer, o Fluminense aposta no seu forte ataque composto pelos rápidos atacantes Paulo Victor – irmão do atacante Denílson do time de juniores – e Christian, além do oportunismo do centroavante Da Silva.

Provável escalação do Fluminense: João, Davi, Gabriel, Caetano e Luis Guilherme; José Ricardo, Nascimento e Rafinha; Paulo Victor, Da Silva e Christian. Técnico: Ricardo Perlingeiro.

Compareça, a entrada é gratuita!

Sobre 2015…

2015A Flusócio surgiu das arquibancadas, fruto do inconsciente coletivo de tricolores antenados, indignados com as seguidas administrações amadoras e irresponsáveis. Foram vários anos de oposição combativa e construtiva. E, agora, caminha para o quinto ano como situação, como principal base de apoio do Presidente.

Infelizmente, ser situação não significa o poder de transformar a administração do clube no modelo idealizado pelo grupo. Até porque a responsabilidade pelas decisões é do Presidente, o qual é influenciado também por outras forças políticas do clube. Faz parte da democracia. Fora os fatores externos, originados principalmente das irresponsabilidades das administrações antecessoras, que tanto atrapalharam o clube, especialmente a partir do fim de 2012.

E quando se fala em administração do clube, especialmente no Fluminense, há duas dimensões bastante distintas: o Futebol e o resto do clube. E aqui cabe pontuar. Se no resto da administração do clube, nossa influência tem sido limitada, no futebol tem sido próximo de zero. Na prática, podemos dizer apenas que a repercussão de nossas opiniões é maior pelo fato de sermos “o principal grupo de apoio do Presidente”. O que não significa, de forma alguma, influência.

Um grupo político como o nosso, formado por torcedores de arquibancada, não influenciar decisivamente nos rumos do futebol é até algo saudável, uma vez que futebol, especialmente hoje, pelas cifras envolvidas, é coisa para profissional, e não para amadores. E é esse profissionalismo que cobramos.

O ano de 2015 tende a ser um ano de transição. Já foi mais do que batido que nosso parceiro reduzirá significativamente os investimentos. Por outro lado, temos finalmente nosso fluxo de caixa com alguma previsibilidade por conta da equalização da nossa situação fiscal, o que permite algum planejamento, apesar dos pesados compromissos impostos pelos parcelamentos fiscais e trabalhistas.

Nesse contexto, a redução de investimentos do parceiro, que poderia ser vista como crise, pode ser vista também como oportunidade. Oportunidade para mostrar que o Fluminense pode montar times competitivos sem se basear somente em medalhões consagrados e com salários milionários. Oportunidade de buscar jogadores que se valorizem no clube proporcionando retorno técnico e financeiro. Oportunidade para lançar garotos da base com planejamento e paciência para que possam encontrar o seu melhor futebol.

Boa parte da base vencedora que tantas alegrias deu ao nosso clube, especialmente entre 2010 e 2012, já dá claros sinais de que está com o prazo de validade vencido. Renovar e colocar sangue novo, mesclando com aqueles que ainda são capazes de jogar com sangue nos olhos e espírito guerreiro, é fundamental para motivar e buscar novos desafios.

É isso que esperamos para 2015. O próximo ano já começa nessas 2 rodadas finais. Que ao invés da despedida melancólica de um ano sem conquistas, usemos esses 2 jogos para clarear os horizontes para o ano que vem. Que pensemos desde já na comissão técnica com o perfil ideal para os desafios de 2015. Não há tempo a perder.

Em clima de fim de festa

Sport2x2Flu

Após a inaceitável derrota em casa para a Chapecoense, o clima de final de festa se instalou entre os torcedores do Flu, e pelo visto também entre os jogadores.

O que vimos no empate de hoje em 2 x 2 contra o Sport foi um Fluminense novamente apático, correndo com “freio de mão puxado”, tocando a bola de lado de maneira melancólica e praticamente sem ameaçar o gol adversário durante toda partida.

As exceções a esta apatia foram exatamente 4 lances: a boa assistência de Fred, concluída por Jean no primeiro gol do Flu, uma boa jogada de Wagner no segundo tempo, mal concluída por Kenedy, que isolou a bola na cara do gol mesmo após um bom domínio e ajeitada para a perna boa, e um golaço do atacante Fred, já no fim da partida, emendando de fora da área e calando o estádio inteiro que o vaiava. Aos 48 minutos do segundo tempo, uma blitz do Flu acabou na conclusão perigosa de Biro-Biro, em cabeçada que encobriu o gol com grande perigo e por pouco não deu a vitória ao Flu, mas a verdade é que não seria merecida.

O destaque negativo do jogo foi um dos “baluartes” da melancólica temporada, o zagueiro Fabrício, que falhou de forma grosseira em ambos os gols do Sport, sendo sacado ainda no intervalo. A improvisação de Valencia na zaga deu resultado muito mais satisfatório.

Se está claro para todos que a capacidade de investimento da Unimed não é mais a mesma para 2015, então vamos apostar nas divisões de base, lançar os garotos durante o campeonato estadual, mesclando-os com os medalhões que permanecerem sob contrato.

Que façamos as contratações apenas com critério e observação técnica rigorosa, aproveitando o bom exemplo do volante Edson. E que nunca mais optemos por compor elenco contratando jogadores oferecidos por empresários, mesmo que endossados por treinadores, pois estes em via de regra são sempre passageiros mas suas escolhas acabam ficando na folha de pagamento e no elenco, eliminado a chance de jovens e sendo escalados às vezes, para desespero da torcida. Este roteiro aconteceu exatamente com o Fabrício, atleta que não tem condições de jogar na Série A do Brasil e que nos fez perder vários pontos na temporada.

Esperamos dos atletas ao menos dignidade e respeito à camisa do Flu nestas duas partidas que faltam. E para 2015, esperamos da diretoria uma reformulação geral, afastando do elenco os jogadores que não mais demonstrem vontade de vestir a camisa do Fluminense. É preciso muito critério técnico na montagem do novo grupo de jogadores, pois sem isso não vamos a lugar algum na próxima temporada. Se o investimento ficou mais curto, então é preciso diminuir a margem de erro.

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