O exemplo da Liga Inglesa

Permier LeagueEm artigo publicado no LANCENET no dia 20/02/2015, o consultor esportivo Almir Smoggi analisou os principais fatores que contribuíram para transformar a Premier League na competição mais bem sucedida do mundo dentre todos os campeonatos nacionais. O texto contém muitos fatos e dados, além de um longo histórico sobre todo processo de crescimento da Premier League.

Alguns trechos merecem a reflexão de todos, pois o futebol brasileiro caminha exatamente no sentido oposto:

“O mundo do futebol ficou surpreso com o novo contrato assinado pela Premier League pelos direitos de transmissão da competição mais valiosa do futebol mundial. Para quem acompanha o trabalho dos ingleses, não foi tão surpreendente o crescimento de 70% nos valores, um contrato que supera 5 bilhões de libras.

A Liga, criada em 1992 se transformou em uma potência comercial global, com seus jogos assistidos por bilhões de telespectadores todos os finais de semana. Segundo dados da Liga 645 milhões de casas em 175 países do mundo acompanham as partidas, metade dos fãs globais de futebol.”

“Desde o nascimento da Liga até os dias atuais, o foco sempre foi transformar a competição em um grande produto televisivo global. Em 1992 o primeiro contrato de TV da Premier League totalizou 15 milhões de libras, para ser dividido entre os 20 clubes. Cinco anos depois já estava em 100 milhões de libras, quase 7 vezes mais.”

“Todas as vezes que o contrato cresceu, os novos valores beneficiaram todos os clubes, grandes, médios e pequenos. Os clubes têm o mesmo peso nas decisões da Liga e na discussão sobre a divisão das receitas. Essa regra criada pelos americanos e seguida pelos ingleses,tem como objetivo a busca por um equilíbrio entre os times, por meio de um justo sistema de divisão das receitas da TV.”

“O clube que menos recebeu por participar da Premier League na última temporada foi o Cardiff com ganhos de 62 milhões de libras e o clube que mais recebeu, o Liverpool somou 97,5 milhões de libras. A diferença do que mais recebe para o último é de apenas 1,57 vezes e a cada ano o volume aumenta e esse índice é reduzido, com menos diferenças entre os clubes.

No Brasil o valor passa de 6 vezes e na Espanha quase 8 vezes. A Inglaterra já mostrou que o caminho que o futebol brasileiro está seguindo seguramente é o equivocado.”

Clique aqui para conferir o artigo na íntegra.

Noite mágica nas Laranjeiras

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O Fluminense viveu ontem uma noite mágica. O lançamento do livro “Washington e Assis- Recordar é viver”, além de encher o salão nobre de nostalgia, ainda modificou a paisagem das Laranjeiras: a partir de agora, os bustos do Casal 20 ficarão ali logo na entrada, guardando as placas de outros ídolos imortais e resenhando com Nelson Rodrigues ao lado.

A torcida tricolor anseia por eventos deste tipo. Crianças e outros mais jovens que não acompanharam na época o tricampeonato reverenciavam Paulo Victor, Carlos Alberto Torres, Romerito, Renê, Parreira e ainda Marcão e Alexandre Torres. Ali, no salão nobre, se começava a notar o tamanho do que estes e outros caras fizeram por nós e tudo o que ajudaram a forjar com suor e conquistas dentro de campo. Quem compareceu pode aproveitar ainda as ofertas de comidas e bebidas da Frescatto e Ambev.

Os presentes que ainda não conheciam o espaço também puderam ir à sala de troféus e conferir a nova exposição temática do Casal 20, além de relembrar todas as taças conquistadas por eles em campo. Uma combinação festa-museu histórica, digna do legado do Fluminense e de extremo bom gosto.

O único porém ficou por conta da desoladora paisagem do bar dos Guerreiros totalmente vazio e deserto. Um espaço nobre, revitalizado e que deveria funcionar como ponto de encontro de tricolores à noite. Ontem havia vários jogos da Libertadores na programação das TVs, um evento espetacular acontecendo bem ao lado e os tricolores que desejaram continuar as conversas ou mesmo tomar um chopp rumavam para outros lugares, obviamente sem deixar de lamentar pelo desperdício que salta aos olhos. O clube não pode e nem tem direito de menosprezar espaços valiosos de sua sede centenária assmi. A torcida não merece isso.

Felizmente isso nem de longe foi capaz de estragar a belíssima noite nas Laranjeiras. Nosso cumprimentos especiais à equipe do marketing por organizar o evento e ao Flu Memória. Não é a primeira vez que Dhaniel Cohen, Heitor D’Alincourt e Carlos Santoro entregam uma material riquíssimo de pesquisa, com fotos impressionantes mesmo para os mais aficcionados. Apesar da saída de um membro também especialista em história tricolor (João Boltshauser), o grupo continuou trabalhando forte, abusando da criatividade para driblar os recursos escassos. A sequência de livros desde 2011 certamente faz parte da biblioteca não só dos tricolores, mas também de apaixonados por futebol, tamanha é a qualidade do material.

O Fluminense agradece.

Assis & Washington eternizados

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Em um intervalo de apenas seis semanas, entre os dias 25 de maio e 6 de julho de 2014, a torcida do Fluminense perdeu Washington e Assis, dois dos maiores ídolos da história tricolor, que formaram a dupla mais carismática do clube em todos os tempos.

Para fazer uma homenagem definitiva ao eterno Casal 20, o Fluminense resolveu convocar os tricolores para viabilizar um livro, uma medalha e dois bustos por meio de um crowdfunding. O projeto aceitou qualquer valor de colaboração a partir de R$ 20.

Foi o segundo financiamento coletivo oficial da história do Fluminense. Em 2012, para viabilizar o livro dos 110 anos, a plataforma também foi usada. Na época, a meta pedida era R$ 110 mil e foram arrecadados exatos R$ 206.378, recorde brasileiro em crowdfunding por mais de dois anos.

Dessa vez, o objetivo era conseguir R$ 150 mil e, mais uma vez, a torcida comprou a ideia. Quase 1,4 mil tricolores colaboraram e o valor final somado chegou a R$ 197.572, viabilizando então a iniciativa.

Hoje à noite teremos a entrega das recompensas aos colaboradores do crowdfunding. O livro “Washington & Assis – Recordar é viver” será lançado, assim como haverá a inauguração oficial dos bustos dos ídolos na sede do clube. A programação vai ocorrer a partir de 19h.

Quem não participou do financiamento coletivo ainda terá uma última oportunidade de adquirir o livro, já que, após muitos pedidos, alguns poucos exemplares serão disponibilizados para venda. O livro tem mais de 600 imagens. Recheado de fotos emocionantes, muitas ainda inéditas ao grande público, o trabalho teve autorização dos familiares dos ex-atletas falecidos.

Os filhos, assim como as viúvas de Washington e Assis, estarão presentes no lançamento. Companheiros dos ex-jogadores nos anos 1980 também. Romerito, Paulo Victor, Carlos Alberto Parreira e Carlos Alberto Torres são alguns que já confirmaram presença.

O produto é mais um trabalho do Flu-Memória. Assinado por Heitor D’Alincourt, Dhaniel Cohen e Carlos Santoro, “Washington & Assis – Recordar é viver” será o sexto livro oficial lançado pelo Fluminense desde 2012.

Eis a lista de todas as obras lançadas pelo clube: “Guerreiros desde 1902 – 110 jogos inesquecíveis”, “Fluminense tetracampeão – O livro oficial da conquista”, “Guerreiros lance a lance”, “Romerito – Tricolor de Corazón” e “Nós somos a História”.

Atuação bisonha e derrota merecida

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O domingo começou mal, com confrontos em alguns pontos da cidade entre tricolores e vascaínos. As brigas provavelmente também aconteceriam se o jogo fosse no Maracanã, mas a mesquinharia da dupla FERJ-Vasco, além de acirrar ainda mais a rivalidade, afastou do estádio famílias e demais torcedores. Poderíamos certamente ter um público três vezes maior no Maracanã.

Mas talvez o principal palco da cidade não mereça o que se viu em campo. Uma partida fraquíssima, em que o Fluminense novamente não conseguiu se impor frente a um Vasco enfraquecido como nunca se viu. “Impor”, entretanto, não pode nem deve ser usado aqui: o Flu fez uma partida bisonha, em que falhou em todos os setores. A zaga, independente das últimas combinações, sofre demais a ausência de Gum e Marlon. Todas, absolutamente TODAS as bolas alçadas levam perigo ao gol de Cavalieri. O meio não se aproximou para criar situações de gol, mesmo apos as mexidas, e Fred não conseguiu sequer concluir a gol.

As mudanças de Cristóvão não surtiram efeito (como sempre, a segunda alteração parece tentar corrigir o erro da anterior) e o Flu nada fez durante o segundo tempo, sofrendo com um domínio muito maior do Vasco. Enfim, são 2 derrotas seguidas, e o pior é que não se vê sinais de avanço ou evolução. Pelo contrário, quando houve um mínimo de dificuldades (jogos na Florida e os dois últimos), o time rateou.

Dito isso, não podemos esquecer ou encobrir a arbitragem desastrosa de hoje. O Flu não merecia nem de longe vencer, talvez nem empatar. Mas o juiz amarrou o jogo inteiro, daquele modo que conhecemos bem, com critérios esdrúxulos para distribuição de cartões de foco claramente contra nós. Guiñazu, sempre ele, fez cinco faltas dignas de cartão amarelo. Levou um. Rafinha fez apenas uma falta e foi expulso direto. Fred foi “marcado” pelo árbitro a noite toda. Em todos os lances era marcada falta do atacante, e as bolas na área invariavelmente acabavam no tal “perigo de gol” antes mesmo de chegar ao destino.

Reflexo da postura do Flu contra a FERJ? Reflexo do domínio do Vasco na Federação?
Que seja. Mas não vamos encobrir nossos erros. O time de Cristóvão Borges está devendo e MUITO à sua torcida. Hoje o time foi totalmente apático, sem gana e sem alma de Fluminense.

Vitória da mesquinharia

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O primeiro clássico do campeonato carioca já começa esvaziado e ilustra bem a mesquinharia e pequenez reinantes por aqui. O binômio FERJ e Vasco da Gama, insatisfeito por não conseguir o lugar á direita das cabines de rádio no Maracanã, adotou a tática do menino dono da bola: “se não é como eu quero, vou fazer de tudo para estragar”.

A partida entre Fluminense e Vasco foi marcada para o Engenhão, sem mandante definido (mais uma aberração aqui do Rio). Apesar do carinho de todo tricolor pelo estádio, em fotos recentes ele ainda abrigava paus, pedras e ferros. Não é preciso ser gênio para temer pela segurança do evento, principalmente frente à rivalidade aguçada por quem não gosta de respeitar contratos privados.

No domingo, às 18h30, o Maracanã estará deserto, escuro e sem jogo, largado por quem deveria zelar pelo principal palco do futebol carioca. O maior e melhor estádio do Rio deixará de receber famílias inteiras, desmobilizadas pela troca de lugar e facilidade de acesso. A renda do jogo certamente será muito abaixo do que se esperaria no palco ideal (haverá menos de 15 mil ingressos à venda), mas certamente na segunda-feira teremos os mais diversos malabarismos justificando os ganhos financeiros do campeonato.

Que o Flu tenha uma grande atuação, não só para sua torcida presente, mas também para impor mais uma derrota aos nossos rivais.

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