Violência e manobra no Conselho Deliberativo

repudio

Na noite de ontem (09/10/2017), o Conselho Deliberativo do Fluminense foi convocado para deliberar sobre as contas do exercício de 2017. O parecer do Conselho Fiscal recomendou a aprovação das demonstrações financeiras por 3 votos a zero e as mesmas foram auditadas pela Mazars Auditores Independentes.

Em apresentação inicial no púlpito, o Sr Felipe Vilela Dias, Presidente do Conselho Fiscal, defendeu a aprovação das contas, informou que o Fluminense fechou o ano contábil de 2017 com déficit de R$ 69 milhões, um pouco menor que o previsto no orçamento, que era de R$ 75 milhões e discorreu sobre as dificuldades da gestão Pedro Abad com o legado financeiro que encontrou.

Algumas outras informações importantes:

1) O parecer do Conselho Fiscal informa que a dispensa dos atletas ocorrida ao final do exercício 2017, e os posteriores acordos negociados com os jogadores, provocaram uma economia das despesas contratadas com eles em torno de 48%;

2) O Presidente do Conselho Fiscal ressaltou a dificuldade de gerir o clube com bloqueio de 15% de todas as receitas penhorados em favor da Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN), conforme decisão proferida no início de 2018. Segundo ele, esses bloqueios já superam R$ 20 milhões e se não existissem estaríamos com todos os salários em dia atualmente;

3) O parecer do Conselho Fiscal ressaltou que a atual administração tomou uma medida correta ao rever a contabilidade de 2016 e 2017, que cumpriu o orçamento 2017, e que fez, na medida do possível, um grande esforço para adequar o nosso clube à realidade. Já está disponível no site oficial o balancete do 1o semestre do ano de 2018, que mostra uma situação econômica (déficit operacional mensal) bem melhor que 2017, embora o problema do clube continue sendo o fluxo de caixa;

4) O parecer do Conselho Fiscal ressaltou que a receita líquida de 2017 superou a receita orçada em cerca de R$ 11 milhões, mas também recomendou novos cortes de gastos para 2018 e a busca incessante por incremento de receitas em todas as áreas, sob pena do clube continuar com graves pendências financeiras, rolando seu déficit basicamente através de empréstimos;

5) O Presidente do Conselho Fiscal informou que foram realizados ajustes sobre as contas aprovadas em 2016, e que as demonstrações de 2017 já estavam elaboradas considerando os novos números, de tal forma que não haveria problema deliberá-las seguindo a pauta, pois os números não mudariam;

6) O Presidente do Conselho Fiscal ressaltou ainda que não tem poder para pedir uma nova votação sobre as contas de 2016 e defendeu que isso deveria ser objeto de avaliação da plenária, em pauta extraordinária convocada para este fim, pois o Estatuto é omisso sobre o assunto;

Como não cogitam rejeitar as contas 2017 assinadas pelo ex Vice Presidente de Finanças Diogo Bueno, uma de suas lideranças, a oposição interna que hoje o Fluminense abriga no Conselho Deliberativo começou a trabalhar pelo adiamento da votação das contas 2017, ignorando solenemente o descrito no item 5. Talvez para votar num momento mais turbulento dentro de campo, quem sabe.

Com a complacência do Sr. Presidente do Conselho Deliberativo, Fernando César Leite, foram nada menos que 2h de questões de ordem, desabafos e afins, sem sequer entrar na pauta da convocação que era discussão e apreciação das contas do exercício de 2017. Após muita perda de tempo e tentativa de manobra, foi votada uma das questões de ordem que pedia o adiamento da deliberação, mas essa proposta foi democraticamente derrotada por 55 x 47 pela plenária, em votação nominal, sem qualquer margem para dúvidas. A pauta da convocação então estava mantida, mas o Presidente do Conselho Deliberativo fez questão de declarar seu voto a favor do adiamento, mesmo que isso não alterasse o resultado final. Uma situação constrangedora.

Foi aí então que o Conselho Deliberativo do Fluminense viveu sua noite mais triste, primeiramente com o destempero do conselheiro Lula Vilela, de pé e aos gritos, sem respeitar a derrota de seu grupo político via processo democrático. Não foi a primeira vez. Na sequência, de forma incompreensível, o Sr. Fernando Leite pegou o microfone para anunciar que, de maneira monocrática, marcaria para breve uma reunião extraordinária para votar novamente as contas 2016. Foi automaticamente questionado por alguns conselheiros que ficaram de pé e se aproximaram da mesa, pois a forma correta deste encaminhamento seria via decisão da plenária, por conta da omissão estatutária sobre o tema.

Neste momento, houve uma agressão covarde do conselheiro André Barbosa a um conselheiro que defendia o correto rito estatutário: sem que este estivesse esperando, recebeu um soco lateral, sem qualquer defesa, algo indigno, que nunca tinha acontecido na casa. Houve muito sangue. O tumulto foi rapidamente controlado pelos seguranças, mas o Sr. Fernando Leite, novamente de forma monocrática, decidiu suspender a reunião sem data definida para continuar.

Ou seja, mesmo sem votos para tal, a oposição dentro do Conselho Deliberativo conseguiu seu objetivo de adiar a reunião. Contou para isso com o uso da violência e com a cooperação de um Presidente do Conselho Deliberativo que há muito tempo já perdeu seu pudor no que diz respeito à parcialidade. Não faz questão de demonstrar a isenção que a cadeira preconiza, e abandona os valores democráticos quando é do interesse de seu lado político.

Cada reunião do Conselho Deliberativo gera custos ao Fluminense, só de pagamento com pessoal são mais de 15 pessoas, dentre segurança, administrativo, equipamento de áudio e video, sem contar energia, aluguel de cadeiras, insumos e etc. Já é a 5a reunião da casa durante o mandato do Sr. Fernando Leite que nada delibera, por motivos políticos. Algo incompreensível e incompatível com um clube que sofre tantos problemas financeiros.

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